Como uma pesquisa investiga e enfrenta o legado da escravidão na vida universitária de Harvard

Colleen Walsh

A professora de Harvard Tomiko Brown-Nagin, coordenadora do projeto ‘Legacy of Slavery’ (‘Legado da escravidão’, em tradução livre), reflete sobre a história da Universidade documentada no relatório desta iniciativa de pesquisa e sobre os pioneiros da luta por mudanças legais e sociais

Um relatório publicado no dia 26 de abril por um comitê nomeado pelo presidente de Harvard, Larry Bacow, e liderado pela jurista e historiadora Tomiko Brown-Nagin detalha as profundas conexões que a Universidade possuiu com a escravidão durante séculos 17, 18 e 19 e com seus legados ao longo do século 20. O relatório também ressalta como esses laços “moldaram Harvard”, e sugere um conjunto de ações que a Universidade pode adotar para ajudar a “amenizar os danos educacionais e sociais contínuos que a escravidão causou aos descendentes, à comunidade do campus e às cidades próximas, à Commonwealth e à nação.” Harvard se comprometeu a fornecer financiamento de longo prazo para responder às descobertas da iniciativa.

Nesta entrevista, Brown-Nagin, reitora do Instituto Radcliffe de Estudos Avançados, fala sobre os achados do relatório e a jornada que há pela frente.

O que todos devem saber sobre os laços da Universidade de Harvard com a escravidão?

BROWN-NAGIN O relatório é abrangente e traça três vias pelas quais Harvard está ligada à escravidão. A primeira é através da escravização de seres humanos por parte de líderes, professores e funcionários de Harvard. Homens e mulheres escravizados faziam parte da comunidade de Harvard; eles serviam aos presidentes e professores da Universidade bem como alimentavam e cuidavam de seus alunos. A segunda forma é por meio das conexões que Harvard mantinha com benfeitores que possuíam laços profundos e extensos com o comércio de escravos, com a escravidão e com as economias escravistas no sul dos Estados Unidos e no Caribe. A terceira via envolve a história das lideranças intelectuais da Universidade. Algumas das figuras mais proeminentes de Harvard, em certos momentos, defenderam a instituição da escravidão, apoiaram o sistema de segregação racial e promoveram a hierarquização e a submissão racial. E isso persistiu até o século 20. Na verdade, foi apenas por volta da década de 1960 e 70 que o número de estudantes negros no campus passou a aumentar significativamente.

O relatório também destaca um quarto tema que considero extremamente importante. Muitos dos primeiros graduados negros de Harvard e do Instituto Radcliffe de Estudos Avançados, apesar de terem enfrentado discriminações dentro e fora do campus, tornaram-se líderes que tiveram um impacto excepcional na vida pública e foram fundamentais na luta para dissolver legados da escravidão, como o de Jim Crow.

“Nós devemos reconhecer o mal que Harvard fez. Mas é também importante que nós não enterremos - assim como foi feito no passado - histórias de resistência, excelência e de liderança negras”

Tomiko Brown-Nagin

Professora de direito e de história em Harvard e coordenadora do comitê do projeto Legacy of Slavery

Você pode falar um pouco mais sobre a decisão de destacar esses líderes?

BROWN-NAGIN O comitê pensou que seria importante revelar os aspectos difíceis da história de Harvard, mas também falar sobre a resistência que é parte do legado da Universidade. Estou ciente de que a história que traçamos neste relatório é profundamente preocupante. Mas seria um grande desserviço à nossa comunidade se a única mensagem que aprendêssemos com ele fosse uma de vergonha. Nós devemos reconhecer o mal que Harvard fez. Mas é também importante que nós não enterremos - assim como foi feito no passado - histórias de resistência, excelência e liderança negras. Essas mulheres e homens também são parte da nossa história, são também parte do nosso legado.

No relatório, documentamos tanto a história que acabei de descrever quanto a contra-história de indivíduos que se opuseram à escravidão e à discriminação. Essa contra-história inclui afiliados brancos de Harvard, como Charles Sumner, com quem muitas pessoas estarão familiarizadas (sua estátua fica no campus), bem como graduados negros como W.E.B. Du Bois, que frequentou a faculdade e foi o primeiro afro-americano a receber um doutorado em Harvard. Ele foi uma figura de extrema importância que disse a famosa frase de que estava “em Harvard, mas não era de Harvard”, e desempenhou um papel descomunal na luta deste país pela liberdade por meio de suas atividades acadêmicas e de seu engajamento na comunidade, incluindo seu trabalho como cofundador do Movimento Niágara que deu origem à NAACP, a mais antiga organização de direitos civis do país. Outro nome que abordamos é Charles Hamilton Houston, conhecido como “o homem que matou Jim Crow”. Ele se formou pela Harvard Law School e ajudou a estabelecer as bases para o histórico parecer de Brown v. Board of Education 1.

Eva B. Dykes se formou em Radcliffe em 1917 e mais tarde se tornou a primeira mulher afro-americana a completar os requisitos para um doutorado nos Estados Unidos, obtendo seu título também em Radcliffe em 1921. Ela era uma estudiosa incrível que se tornou a presidente do departamento de inglês da Oakwood University depois de trabalhar inicialmente na Howard University. Ela se dedicou à análise das atitudes em relação aos negros e à escravidão entre os escritores ocidentais canônicos, e nós a elevamos como uma indivídua que, por meio de suas contribuições para o conhecimento e a educação, foi capaz de criar mudanças importantes.

Caroline Bond Day é outra graduada de Radcliffe cuja história precisa ser contada. Ela estudou com Du Bois na Universidade de Atlanta, entrou em Radcliffe em 1916 e obteve seu diploma de pós-graduação em 1919. Durante sua pesquisa de pós-graduação, ela recrutou mais de 2.000 indivíduos de famílias mestiças, compilando informações sobre eles para uma tese que contrariava as teorias de cientistas raciais e eugenistas de Harvard e de outros lugares do mundo, que argumentavam que as pessoas de cor eram inferiores aos brancos.

Cada uma dessas pessoas lutou contra a opressão racial e sentiu os efeitos da discriminação aqui em Harvard. Mas elas também lutaram pela liberdade humana, criaram legados de liderança profissional e engajamento civil, e fizeram contribuições profundas para a história de mudanças legislativas e sociais neste país. Devemos nos orgulhar dessas pessoas e de seus legados, e tê-los como exemplos poderosos.

O presidente Bacow tem ressaltado repetidamente seu compromisso em entender os laços da Universidade com a escravidão como base para o avanço. Você pode esclarecer como Harvard será transformada pelas descobertas do relatório?

BROWN-NAGIN Somos uma instituição de ensino superior dedicada à pesquisa e à difusão do conhecimento. Estamos também, no nosso próprio lema, dedicados à verdade. O que fizemos aqui foi procurar por verdades que são dolorosas. Mas a realidade é que mesmo quando a verdade é dolorosa, devemos buscá-la, devemos divulgá-la, devemos dar o exemplo da procura pela verdade. E é isso que estamos fazendo por meio dos estudos realizados neste relatório.

Por meio das recomendações, focaremos e trabalharemos para mudar vidas, e vamos realizar trocas e nos engajar com as comunidades descendentes. Lideramos com o compromisso de alavancar a experiência em educação para tentar abordar as desigualdades sistêmicas que afetam as comunidades descendentes neste país e para além dele. Essas reparações estão sendo projetadas para durar para sempre, para durar mais do que qualquer presidente, qualquer reitor, qualquer membro da equipe, do corpo docente ou discente; este compromisso perdurará. As recomendações serão institucionalizadas de forma a permitir que gerações de estudantes, professores e funcionários participem dando vida ao nosso compromisso de tratar dos legados da escravidão.

“As recomendações serão institucionalizadas de forma a permitir que gerações de estudantes, professores e funcionários participem dando vida ao nosso compromisso de tratar dos legados da escravidão”

Tomiko Brown-Nagin

Professora de direito e de história em Harvard e coordenadora do comitê do projeto Legacy of Slavery

Você pode descrever as recomendações?

BROWN-NAGIN São sete no total, e elas estão enraizadas na história que documentamos e em nossa convicção como comitê de que, para serem significativas, as reparações devem ser visíveis, duradouras, fundamentadas em um processo contínuo de engajamento e extremamente ligadas à natureza dos danos causados. As recomendações são amplas porque devem deixar um largo espaço para engajamento significativo e relevante com pessoas no campus, com as Escolas de Harvard e com parceiros da comunidade, que ajudarão a moldar o trabalho que virá adiante. Mas, elas são também significativas.

Em primeiro lugar, as recomendações visam amenizar as desigualdades sistêmicas que afetaram desproporcionalmente os descendentes das gerações escravizadas nos Estados Unidos e no Caribe, expandindo o seu acesso e oportunidades educacionais. Quando falamos de comunidades descendentes, estamos nos referindo a comunidades como aquela em que cresci, uma comunidade de afro-americanos que eram todos descendentes de escravizados. Os ex-escravizados e seus filhos, e os filhos de seus filhos – em outras palavras, gerações – estavam imersos na pobreza, privados de educação, relegados à agricultura arrendatária e outras formas de trabalho de baixa remuneração. Eles enfrentaram uma discriminação racial que se manteve completamente legal até o século 20. Mesmo após a aprovação da Lei dos Direitos Civis de 1964, muito pouco mudou para a maioria das pessoas devido à contínua desigualdade estrutural. Falar de comunidades descendentes é falar de pessoas negras em comunidades onde as disparidades e desigualdades raciais permanecem como indícios tangíveis – consequências da escravidão e sua herança.

Como resultado, foi e é extraordinariamente difícil para as pessoas dessas comunidades progredir. Acabei de descrever a experiência negra em partes do sul americano, que eu, como nativa da Carolina do Sul, conheço muito bem. Mas esse é apenas um exemplo de um fenômeno geral que também pode ser visto em cidades de todo o país, incluindo Boston, D.C., Filadélfia, Chicago e muitos outros lugares para os quais os negros migraram em busca de oportunidades. E é claro que já haviam descendentes da escravidão no Norte do país. Há também grandes comunidades descendentes nas nações caribenhas ligadas ao tráfico de escravos.

Outra recomendação importante é que a Universidade tente identificar e se envolver com descendentes diretos de indivíduos que foram escravizados por líderes, professores e funcionários de Harvard. Estamos buscando dar às pessoas a capacidade de conhecer e contar suas histórias. Da mesma forma, as recomendações incluem apoio contínuo à pesquisa e divulgação pública de informações sobre a escravidão e seus legados, tanto em Harvard quanto em um contexto mais amplo, com professores e alunos profundamente envolvidos nesse trabalho.

As recomendações também contemplam parcerias com faculdades e universidades negras e com faculdades indígenas. Harvard está se comprometendo a financiar programas de verão e visitas de um ano ao campus para professores e alunos interessados das instituições parceiras da HBCU (Historically Black Colleges and Universities) e a apoiar professores e alunos de Harvard que também desejem visitar essas instituições. Também estamos nos comprometendo a buscar novas parcerias com faculdades indígenas. Todos esses esforços incluirão apoio financeiro. Essa abordagem é fruto de uma profunda reflexão entre os membros do comitê, e achamos que há muitos caminhos a serem trilhados nessa área.

Também vemos a criação de um memorial público como um componente criticamente importante de nossas retratações. Consultamos o King Boston, uma iniciativa em homenagem a Martin Luther King Jr. e sua esposa, Coretta Scott King, e um escritório de arquitetura que esteve envolvido na criação de memoriais à escravatura profundamente comoventes. Queremos que seja imponente, algo que estudantes, professores, funcionários e os muitos visitantes do campus de Harvard possam interagir e apreciar. E esperamos que esta obra de arte os leve a pensar criticamente sobre a história da Universidade e, na verdade, sobre a história de nossa nação e do mundo.

Você mencionou sobre apoiar os descendentes diretos de indivíduos escravizados que trabalhavam no campus de Harvard. Quão difícil será para Harvard identificar estes descendentes diretos, como Georgetown fez, e qual é a probabilidade de sucesso?

BROWN-NAGIN Não sabemos até que ponto seremos bem-sucedidos e, no entanto, estamos comprometidos com esse trabalho difícil e já começamos a fazer essa busca. Uma questão é que nossos registros datam muito mais cedo na história do que os de outras instituições que se propuseram a realizar ações semelhantes, o que pode apresentar desafios particulares. Os registros da era colonial podem ser esparsos. E há uma gama mais ampla de indivíduos e circunstâncias representadas no início da história de Harvard com a escravidão do que em algumas outras instituições. Não sabemos se nosso Legacy of Slavery Remembrance Project, que é como o chamamos, dará frutos da maneira mais profunda e extensa possível. No entanto, estamos comprometidos em fazer o nosso melhor, porque achamos importante que os descendentes possam recuperar e contar suas histórias, e buscar conhecimento empoderador. E na medida em que conseguirmos encontrar esses descendentes, esperamos envolvê-los por meio do diálogo, da coleta de dados, do compartilhamento de informações e da construção de relacionamentos.

As recomendações são ambiciosas, mas não incluem explicitamente reparações financeiras. Você poderia falar mais sobre essa decisão e sobre o foco na educação?

BROWN-NAGIN Nós certamente discutimos as possíveis abordagens de reparação no comitê e fora dele, e uma série de pensamentos impulsionados por essas discussões formalizaram nossa decisão de estruturar o compromisso dessa maneira.

Não há nenhuma quantia de dinheiro que possa realmente resolver os danos incalculáveis da escravidão. Dito isto, o compromisso que a Universidade está assumindo é significativo. Cem milhões de dólares foram alocados pela Harvard Corporation para implementar as recomendações do comitê. Esses fundos também devem durar para sempre. Este é um compromisso de longo prazo, e achamos que é de vital importância. Essa história exige um engajamento profundo e contínuo. Estamos buscando engajar e apoiar as comunidades descendentes por meio de uma parceria genuína, aproveitando nossa experiência e nossas forças, de maneira consistente com nossa missão como instituição dedicada à educação, pesquisa e serviço.

Quero destacar uma linha no relatório que observa que durante e após a escravidão, os defensores da igualdade racial consideravam a educação “uma força libertadora”. Reparações que buscam acabar com a discrepância de oportunidades e abordar as disparidades na educação continuam sendo extremamente importantes. Oportunidades educacionais de qualidade e sistemas escolares são impulsionadores comprovados da mobilidade social e econômica, como vários especialistas em Harvard podem atestar, incluindo o economista Raj Chetty, que explicou de maneira tão irrefutável, por meio de grandes conjuntos de dados, exatamente esse ponto. O foco na educação é consistente com a missão da Universidade. E estou feliz em dizer que a Harvard Graduate School of Education será uma liderança extremamente importante dos nossos esforços nessa área. A Escola é liderada pela reitora Bridget Terry Long, que é uma das maiores autoridades do país em intervenções necessárias para promover o sucesso educacional, e inclui um grande número de professores com profundo conhecimento sobre como criar oportunidades de aprendizado de âmbito mundial, que é o que aspiramos nas recomendações. Em suma, me sinto muito confiante de que as recomendações são significativas e que, buscando focar na expansão das oportunidades educacionais, poderemos obter um impacto efetivo.

O relatório também observa que a história indígena tem um significado especial para a fundação de Harvard e que os presidentes, funcionários e companheiros da Universidade também escravizaram os indígenas. Você poderia falar mais sobre isso?

BROWN-NAGIN O relatório documenta a história da escravização indígena em Harvard e a desapropriação durante a era colonial, mas não discute detalhadamente a importância da história indígena ao longo do tempo. Isso se dá porque as experiências de descendentes negros e indígenas da escravidão foram suficientemente distintas para que uma pesquisa mais profunda sobre a experiência dos nativos americanos seja necessária. Ainda devemos examinar a história da escravidão, do colonialismo indígena e de seus legados, que persistem em Massachusetts e nos Estados Unidos. As recomendações incluem apoio financeiro para essa pesquisa, para uma conferência histórica que traria ao nosso campus acadêmicos e representantes indígenas para avaliar essa história e suas consequências, e outras retratações possíveis. Também nesta área, temos um conjunto de compromissos que, durante o processo de implementação, serão desenvolvidos em maior detalhe por uma série de profissionais, incluindo membros do Programa Nativo Americano da Universidade de Harvard e outros que estão melhor posicionados para vislumbrar o que precisa ser feito.

A realidade é que mesmo quando a verdade é dolorosa, devemos buscá-la, devemos divulgá-la, devemos dar o exemplo da procura pela verdade. E é isso que estamos fazendo por meio dos estudos realizados neste relatório”

Tomiko Brown-Nagin

Professora de direito e de história em Harvard e coordenadora do comitê do projeto Legacy of Slavery

O comitê era formado por acadêmicos de áreas muito diferentes. Como você orientou o grupo neste trabalho?

BROWN-NAGIN Me sinto honrada por ter sido convidada para liderar este comitê e por ter me envolvido com acadêmicos tão fantásticos, incluindo ilustres historiadores da escravidão e estudiosos que dedicaram suas carreiras a refletir sobre questões relacionadas à discriminação e suas reparações. Tivemos muitas conversas sobre o que o relatório deveria cobrir e o que deveria recomendar. Eram, em alguns casos, conversas desafiadoras. E é exatamente isso que elas deveriam ter sido. Faz parte da grande tradição de nossa instituição buscar a verdade e nos engajar em debates profundos para, finalmente, produzir pesquisas poderosas. Nossas recomendações refletem um amplo acordo sobre como esta instituição pode recomeçar e se dedicar a soluções que buscam amenizar os danos da escravidão. Elas também refletem a importância de alavancar os recursos intelectuais, de reputação e financeiros de Harvard na busca dessas intervenções, reconhecendo que os representantes anteriores da Universidade usaram esses mesmos recursos para causar males.

Tiveram descobertas que foram particularmente surpreendentes ou especialmente reveladoras durante a pesquisa?

BROWN-NAGIN Embarquei nesta jornada sabendo bastante sobre a escravidão e seus legados neste país, mas o processo de descobrir a magnitude dos laços do Norte do país com a escravidão foi esclarecedor até mesmo para mim. Um dos propósitos deste relatório é educar o público americano, bem como as pessoas em nosso campus, sobre a abrangência da escravidão. Ela constituía-se em uma rede global de indústrias e indivíduos, e nós documentamos como o Nordeste dos Estados Unidos, que geralmente é reconhecido por seu papel no movimento abolicionista e na Revolução Americana, está de fato profundamente interligado com economias escravistas e conectado em particular com o Caribe – através da escravização de pessoas, mas também através da produção de bens por parte dos escravizados. Esse entendimento ajuda a esclarecer até que ponto o mundo e diferentes partes da nação estavam ligados ao sistema de escravidão e suas sequelas.

De maneira ampla, que papel você vê os estudantes e a comunidade de Harvard assumindo na implementação dessas recomendações e no apoio a este trabalho?

BROWN-NAGIN A implementação será presidida pela integrante do comitê Martha Minow, ex-reitora da Harvard Law School, especialista em direito de renome mundial e autoridade em direitos humanos e em como lidar com injustiças persistentes que afetam minorias raciais e religiosas. Não consigo pensar em uma pessoa melhor para liderar esse esforço.

Seu comitê considerará como institucionalizar o compromisso de Harvard em tratar os danos da escravidão. Ele examinará como será esse trabalho, onde ficará situado, quais Escolas estarão envolvidas e como essas Escolas serão envolvidas. Esperamos que o esforço para abordar nossos legados de escravidão inclua toda a Universidade. Assim como a história que documentamos toca cada parte de Harvard, as reparações também devem tocar. Ao informar os reitores de todas as escolas de Harvard sobre nossas descobertas e recomendações, ficamos animados com o entusiasmo deles em se envolver neste trabalho.

Haverá também muitas oportunidades para os alunos participarem em pesquisas e serviços para promover as retratações que recomendamos, bem como oportunidades para aqueles da comunidade geral de Harvard se envolverem nesse trabalho vital. Muitos membros da nossa comunidade estiveram comprometidos de diferentes maneiras neste esforço. Tudo começou com seminários estudantis ministrados pelo meu colega Sven Beckert há quase 20 anos. Os estudantes de direito que atuaram na campanha Royall Must Fall também ajudaram a impulsionar esse trabalho. Da mesma forma, queremos que a implementação de nossas recomendações para reparar esse histórico seja um esforço de toda a comunidade. Estou realmente animada e esperançosa com o que está por vir em Harvard nesta nova era.

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