Lições do Furacão Katrina: como a pandemia pode afetar crianças

Alvin Powell
Psicóloga da Universidade de Harvard afirma que o estudo de problemas enfrentados pela juventude na sequência da catástrofe natural pode oferecer pistas sobre o que guardam os próximos meses e anos

O Furacão Katrina ocasionou destruição generalizada e tomou mais de 1.800 vidas em 2005, acometendo principalmente a cidade americana de Nova Orleans. Apesar de toda a calamidade, psicólogos reconhecem que a tempestade e suas consequências figuram como uma oportunidade para melhor compreender o impacto que esse tipo de evento pode causar às crianças.

Um estudo sobre o tema foi conduzido por pesquisadores de Harvard sob a liderança de Katie McLaughlin, professora associada do departamento de ciências sociais, e Ronald Kessler, professor titular de políticas de saúde na Faculdade de Medicina de Harvard. A pesquisa mostrou que casos de distúrbios emocionais severos – ansiedade, depressão, ou quaisquer transtornos significativos o suficiente para afetar o desempenho escolar e vida cotidiana de uma criança – praticamente triplicaram em um período de dois anos após o Katrina.

Nesta entrevista, a professora McLaughlin fala sobre o assunto. A pesquisadora dedica seus esforços acadêmicos a estudar o impacto desse tipo de trauma na infância – inclusive durante a pandemia.

Você foi a principal autora de uma pesquisa sobre distúrbios emocionais severos que impactaram a juventude após a catástrofe do Katrina. Quais foram as principais lições desse estudo?

Katie McLaughlin Uma das coisas que observamos nesse estudo é bastante consistente em relação aos achados de outras pesquisas que tratam de desastres naturais, atentados terroristas e outros tipos de eventos traumáticos a nível comunitário que causaram transtornos abrangentes. Primeiramente, boas notícias: a maioria das crianças fica bem após esses eventos. Elas não estão enfrentando altos níveis de estresse emocional e não se enquadram em diagnósticos de transtornos mentais. Isso é bem consistente em relação àquilo que se vê após episódios estressantes ordinários: na média, metade das crianças vai suportar o estresse sem desenvolver problemas expressivos de saúde mental ou sintomas de transtornos psicológicos.

Quando você fala de “estresses ordinários”, quer se referir ao tipo de episódio estressante que pode acontecer a qualquer momento, como o falecimento de um dos pais ou a perda de um emprego por parte deles? Ou seria o caso de algo mais atípico e abrangente?

Katie McLaughlin O trabalho focou em eventos de escala comunitária, como um desastre natural ou acontecimentos fatais – a morte de um ente querido, exposição à violência, um acidente automobilístico perigoso – nos quais a severidade do fator de estresse é profunda. O que pudemos visualizar por meio de diferentes estudos é que existe um padrão de resiliência: ao menos metade das crianças não desenvolve problemas expressivos de saúde mental mesmo após vivenciarem momentos profundamente adversos.

As notícias não tão boas são que a outra metade das crianças tende a sofrer uma intensificação de problemas de saúde mental. De acordo com os estudos, pode-se perceber que de 20% a 25% desenvolvem sintomas de ansiedade, ou depressão, ou uma piora de quadros comportamentais, tudo de forma relativamente transitória. Geralmente, dentro do período de um ano após o evento, o quadro psicológico dos jovens volta à normalidade. Dentro do grupo dos que sofrem de problemas de saúde mental, os 25% a 30% remanescentes são os que mais nos preocupam – aqueles cujos sintomas continuam expressivos com o passar do tempo. O quadro deles não volta à normalidade imediatamente, e em muitos casos nem em um ou dois anos após o trauma.

“Um dos bons indicadores do quão bem crianças conseguem lidar com esses tipos de estresses e desafios é a forma como seus pais lidam com eles”, disse Katie McLaughlin, a principal autora do estudo

Esses resultados gerais apareceram na pesquisa sobre o caso Katrina?

Katie McLaughlin No estudo das crianças expostas às consequências do Furacão Katrina, nós utilizamos uma definição estrita de problemas de saúde mental. A ideia de “perturbações emocionais graves” essencialmente implica que as crianças não somente estão tendo sintomas e problemas de saúde mental que nós consideramos sérios o suficiente para classificar como um transtorno mental – como depressão e transtorno de estresse pós-traumático –, mas que esses sintomas estão realmente causando problemas em suas vidas.

Essa é uma distinção importante, porque muitos de nós estamos passando por problemas de saúde mental neste exato momento [na pandemia], como sentir mais ansiedade do que o normal. O que nos preocupa, de uma perspectiva clínica, é quando esses sintomas começam a interferir no nosso cotidiano, trazendo complicações às nossas jornadas de trabalho, estudo ou relacionamentos.

No estudo referente ao Katrina, descobrimos que aproximadamente 15% das crianças se encaixavam nos critérios de perturbações emocionais graves ainda um ano após a passagem do furacão. Mesmo depois de um tempo considerável ter se passado desde o evento traumático, essas crianças ainda estavam sendo impactadas. Elas ainda estavam em uma situação pior do que antes do furacão.

Você fica surpresa com o quão altos ficaram esses índices após um ano?

Katie McLaughlin Sim e não. Sim, no sentido de que uma a cada seis crianças passou por problemas de saúde mental persistentes depois do desastre. Contudo, isso é bem consistente com o que nós geralmente enxergamos em geral nos episódios estressantes a nível comunitário.

O Katrina, em relação a outros desastres naturais, pode ser considerado um episódio estressante severo. As famílias que participaram da pesquisa eram majoritariamente da área de Nova Orleans, onde o furacão trouxe consequências massivas à vida comunitária. Dependendo de onde exatamente eles viviam, havia não somente uma destruição generalizada de casas, mas uma migração intensa para fora daquela área. Muitas das famílias que viviam em regiões gravemente afetadas escolheram não reparar suas perdas e, em vez disso, optaram por se mudar.

Assim, houve um rompimento de redes de suporte social – crianças mudaram de escola e perderam contato com seus melhores amigos, as comunidades das igrejas se desmembraram, entre tantas outras cadeias de apoio rompidas, que são normalmente tão importantes para evitar problemas de saúde mental em situações estressantes.

Isso, acredito eu, fez com que se tornasse difícil para as pessoas superar aquele episódio. Então, penso que, de certa forma, não é surpreendente que tenhamos visto problemas persistentes em uma proporção considerável das crianças contempladas pelo estudo, dado o dano causado às suas vidas e a perda das suas importantes redes de apoio.

Você deu algum tipo de continuidade a esse estudo após a sua realização?

Katie McLaughlin Sim, isso mesmo. Nós observamos, após mais um ano decorrido desde o Katrina, que houve declínio nas taxas de ocorrência de perturbações emocionais graves. Até mesmo algumas das crianças que tinham condições persistentemente complicadas se recuperaram após dois anos do desastre . Mas o que nós observamos sobre quem conseguiu se recuperar e quem não conseguiu é bem relevante quando pensamos sobre os prováveis impactos da covid-19.

Descobrimos que as crianças mais propensas a desenvolver problemas mentais duradouros eram aquelas que haviam tido maior exposição a fatores estressantes no contexto do furacão. Portanto, se a sua casa foi destruída, se você teve que dormir no porão de uma igreja ou no gramado de um estádio porque sua casa foi alagada, se você ficou gravemente ferido, ou se sua família passou por dificuldades para conseguir comida e abrigo após a passagem do furacão, é mais provável que você encare sérias complicações de saúde mental na sequência do desastre.

Gráfico mostra prevalência de perturbação emocional séria entre jovens expostos ao Furacão Katrina. Os níveis de prevalência de distúrbio aumentaram após o furacão e permaneceram mais elevados três anos depois. De 18 a 27 meses depois do Katrina, 15,1% dos jovens expostos ao furacão estavam ainda com perturbações emocionais sérias.

Como os resultados do estudo sobre o Katrina se aplicam na atualidade, com a situação da covid-19?

Katie McLaughlin Ao pensarmos sobre a covid-19, tentamos refletir sobre quais famílias estão em maior risco.

Estudos em andamento no meu laboratório envolvem famílias que já estávamos acompanhando antes do começo da pandemia e que continuaram a ser observadas durante a crise. Tivemos o intuito de particularmente entender como está a saúde mental das crianças nesse período. Trinta por cento delas apresentavam sintomas clinicamente significativos de ansiedade e depressão antes da pandemia, e 20% se enquadravam nos critérios de problemas de externalização clinicamente relevantes, como distúrbios comportamentais, hiperatividade e desatenção.

Em contraste a isso, dois terços, ou aproximadamente 67% das crianças, tiveram sintomas clinicamente relevantes de ansiedade ou depressão quando foram reavaliadas durante a pandemia. Os quadros de problemas de externalização se apresentaram quase na mesma razão, de aproximadamente dois terços do total. A visão que obtivemos é consistente com os estudos que citei antes, uma vez que observamos que o melhor indicador de quais crianças sofrem de problemas de saúde acentuados — como depressão, ansiedade e distúrbios comportamentais — é, de longe, o alto nível de exposição a fatores de estresse decorrentes da pandemia.

Nesses casos, nos referimos a famílias em que alguém ficou adoecido com a covid-19, em que alguém faleceu por conta da doença, ou que estejam passando por duras situações financeiras – como a perda da fonte de renda de um dos pais ou a incapacidade de conseguir acesso a recursos básicos, como comida e moradia. São englobadas também nessa ideia as famílias expostas à discriminação no contexto da pandemia ou que estejam vivendo conflitos críticos de relacionamento no contexto familiar, acadêmico e social. Algumas crianças que fazem parte dessas famílias vivem em ambientes residenciais superlotados e sem condições adequadas para a aprendizagem remota.

Esses são apenas alguns exemplos. Quanto mais desses fatores e eventos estressantes acontecem, mais provável é que uma criança vivencie complicações de saúde mental durante a pandemia de covid-19.

Com mais de 500 mil mortos e 28 milhões de casos registrados nos Estados Unidos até hoje, o que podemos esperar em um mundo pós-covid?

Katie McLaughlin De novo, existem tanto razões para ser otimista quanto para se preocupar.

Do lado otimista, como eu disse, nós normalmente vemos que aproximadamente metade das crianças está indo bem e permanece resiliente, apesar das expressivas adversidades por que passam. Será que essa lógica vai se aplicar à pandemia da covid-19? Essa é uma questão importante, porque há uma série de aspectos da pandemia que são diferentes dos de desastres naturais que temos estudado.

A pandemia é muito mais abrangente: não é um caso localizado que afeta uma cidade ou estado em particular, como um furacão. Tudo está afetando todos de uma vez só, então o patamar de exposição [ao evento] é muito maior. Outra questão diferenciada da pandemia é que suas complicações para a vida cotidiana são muito mais persistentes.

Pode levar algum tempo para que as comunidades se reconstruam e se restabeleçam após um desastre natural expressivo, mas elas eventualmente conseguem. Algumas demandas importantes conseguem ser respondidas até mesmo com relativa rapidez nesses casos. Geralmente, as crianças voltam à escola – mesmo que em uma instituição diferente – sem muito atraso.

O que pudemos perceber ao longo do último ano – e sabe-se lá por quanto tempo mais – foi um amontoado de complicações significativas para a vida cotidiana de todos nós e particularmente de nossas crianças, em especial aquelas que não estão podendo frequentar a escola presencialmente e precisam dar continuidade à sua educação de forma remota. Não sabemos ainda o impacto que essa conjuntura de estresse persistente e generalizado vai trazer. Pode-se imaginar que o nível de problemas de saúde mental que irão surgir será mais elevado, ainda que não seja possível afirmar isso com certeza.

O sistema de saúde americano consegue comportar tantos casos de problemas de saúde mental? Pelo que ouvi, estamos muito próximos de atingir nossa capacidade máxima nos Estados Unidos. Considerando apenas aquelas famílias que perderam alguém durante a pandemia, os números já ultrapassam 500 mil – é uma grande quantidade de crianças que podem ser afetadas.

Katie McLaughlin O que observamos no caso Katrina foi que o fator mais responsável por desencadear problemas persistentes de saúde mental nos jovens foi a morte de familiares. O número de vidas perdidas talvez seja apenas a ponta do iceberg no contexto da pandemia, mas as crianças afetadas por esse tipo de evento são as mais propensas a sofrer impactos severos em termos de saúde mental.

Será que o sistema consegue lidar com isso? É uma ótima pergunta. Não tenho muita expertise na administração de sistemas de saúde. Porém, dada a minha experiência como profissional no campo da saúde mental, devo dizer que nós sempre tivemos uma carência de serviços bem capacitados para lidar com crianças. Há um sério problema de acessibilidade, especialmente para famílias que têm condição socioeconômica fragilizada e não podem arcar com os custos de planos de saúde que oferecem boa cobertura de serviços de saúde mental.

Além disso, temos a questão da integração dos serviços de saúde mental no sistema de saúde primário. Houve um grande movimento em relação a isso para o atendimento a adultos. Isso tem sido chamado de integração comportamental na saúde — o que, basicamente, significa alocar provedores de saúde mental em clínicas de saúde básica. Assim, quando um paciente disser ao seu profissional de saúde que ele tem passado por sintomas de depressão ou por variações de humor, esses profissionais podem dizer: “nós temos alguém aqui na clínica mesmo que pode conversar com você sobre isso. Você gostaria de marcar um horário antes de ir embora?”, em vez de dizer: “ah, você deveria procurar alguma ajuda psicológica”.

A integração de serviços de saúde mental aos cuidados básicos pediátricos está atrasada em comparação com a medicina adulta, mas existem reivindicações crescentes para que essa integração também seja executada – e isso está começando a acontecer. É uma ideia promissora para fazer com que mais crianças tenham acesso a esses serviços. Contudo, a integração não vai conseguir ajudar todos que precisam. Algumas dessas crianças – os 10% que desenvolvem problemas de saúde mental e custam a se recuperar, a exemplo do estudo do Katrina – vão precisar de intervenções intensivas, como o atendimento individual com um profissional de saúde capacitado por um longo período. No entanto, vai haver uma grande quantidade de crianças cujos sintomas provavelmente conseguirão ser contemplados por breves intervenções psicológicas no âmbito escolar ou de cuidados primários.

“Nós também identificamos uma série de fatores protetivos [...], crianças cujas famílias conseguiram manter uma certa estrutura e estabilidade em sua rotina diária. É óbvio que é uma rotina diferente da anterior à pandemia, mas essa estabilidade parece oferecer um efeito protetivo”

A que fatores comportamentais ou sinais de problemas os pais deveriam ficar atentos?

Katie McLaughlin As famílias podem se atentar a mudanças comportamentais significativas: crianças indispostas a participar de atividades de que costumavam gostar, irritabilidade acentuada, aumento de emoções negativas ou reatividade, dificuldade para dormir, problemas para se concentrar. Esses são sintomas marcantes que englobam uma série de problemas de saúde mental.

Expressar preocupações ou medos é uma manifestação comum da ansiedade em crianças. Em crianças pequenas, pode-se frequentemente perceber queixas de desconfortos corporais, dores de cabeça e estômago persistentes, problemas em seguir instruções ou dificuldades para se relacionar com irmãos e pais.

Buscamos focar em alterações emocionais persistentes. Todos vamos viver dias, ou talvez semanas, em que estamos mais preocupados do que o normal, tendo dificuldades para dormir, mas, quando esse tipo de comportamento se torna persistente, os pais devem se preocupar.

Também é normal ver – especialmente em crianças pequenas – regressões no desenvolvimento infantil quando fatores de estresse graves ou mudanças na rotina acontecem. Repentinamente, crianças voltam a fazer xixi na cama depois de terem perdido esse hábito e se tornam muito carentes de ajuda e atenção; ou mesmo passam por um retrocesso linguístico, no qual começam a se expressar menos e com poucas palavras, manifestando padrões comunicativos típicos de fases anteriores do desenvolvimento infantil.

Essas são reações normais de crianças que passam por situações de estresse relevantes, mas elas tendem a voltar à normalidade de forma relativamente rápida. Quando se nota a persistência dessas mudanças, esse pode ser um bom motivo para recorrer ao pediatra ou a outros cuidados médicos.

O quão impactante o comportamento dos adultos ao redor de uma criança pode ser?

Katie McLaughlin Um dos melhores indicadores do quão bem as crianças lidam com esses tipos de estresses e desafios é a maneira como os seus pais lidam com eles. No estudo do Katrina, notamos que o fato de um dos pais estar passando por transtornos de saúde mental é um dos maiores indicadores de que a criança pode passar por problemas da mesma natureza depois de um desastre. Sabemos, também, a partir da pesquisa realizada em torno de outras causas de estresse, que, quando os pais demonstram muita angústia — dadas as dificuldades para lidar com a situação —, pode-se perceber que esse comportamento se reflete nas atitudes de seus filhos. Isso dificulta a sua recuperação depois de um episódio estressante.

Então a ideia é se manter firme?

Katie McLaughlin É difícil, não é? Todos passamos por problemas. Algumas recomendações simples que costumo oferecer são fazer o seu melhor para não expressar ansiedade ou angústia a nível extremo, especialmente na frente de crianças pequenas, e ao mesmo tempo buscar oportunidades para que todos possam conversar e desabafar honestamente.

Suprimir emoções não é aconselhável: isso tende a tornar os problemas piores. Do outro lado da moeda, expressar angústia exacerbada perto das crianças pode ser contraproducente. É fundamental encontrar um equilíbrio no diálogo familiar, em que todos possam conversar sobre seus sentimentos e os problemas que estão enfrentando. Dessa forma, é possível identificar caminhos para que os familiares possam se apoiar e superar situações estressantes.

Existe algo que as famílias possam fazer para se proteger do estresse da pandemia?

Katie McLaughlin Evidências de múltiplos estudos mostram que problemas de saúde mental estão aumentando durante a pandemia, inclusive para crianças, e o patamar de exposição aos estresses decorrentes da crise está fortemente relacionado ao estado degradante de saúde mental.

No entanto, por meio dos nossos estudos em andamento ao longo da pandemia, também identificamos uma série de fatores protetivos acessíveis para boa parte das famílias. Em um trabalho liderado por Maya Rosen e Alexandra Rodman pesquisadoras de pós-doutorado no meu laboratório, crianças que estiveram envolvidas em atividades físicas, ou crianças cujas famílias foram capazes de manter alguma estrutura em suas rotinas cotidianas – ainda que uma rotina diferente do período pré-pandemia – encontraram certa proteção ante fatores de estresse. Interessantemente, a redução da exposição às telas e à mídia digital, especialmente com conteúdo relativo à pandemia, também serviu a esse propósito de salvaguardar a saúde mental das crianças. Descobrimos que as crianças que se engajam muito em notícias, especificamente as relativas ao contexto pandêmico, estão apresentando pioras em termos de saúde mental.

Por fim, reparamos que a manutenção de um certo nível de socialização presencial estava associada a uma boa saúde mental, especialmente para crianças pequenas. Todos nós passamos por uma transição para a interação digital. Para adolescentes, o digital parece ser um substituto razoavelmente decente, apesar de não ser o ideal. Para crianças pequenas, é um substituto comparativamente pior. Ser capaz de manter algum tipo de interação em pessoa – de forma segura e praticável para as famílias – parece ser uma ideia bastante protetiva para os pequenos.

Além disso, nós vimos que as crianças que têm sido capazes de manter algum tipo de conexão social com seus amigos estão, em geral, mais saudáveis no que tange à saúde mental. Elas parecem até mesmo estar mais blindadas contra o desenvolvimento de distúrbios de saúde mental desencadeados por eventos estressantes. Então, ainda que essas crianças façam parte de uma família gravemente afetada pelos estresses da pandemia, elas conseguem evitar transtornos de saúde mental contanto que consigam manter conexões sociais e tenham uma rede de suporte ao seu alcance. Sempre soubemos que o apoio social é bastante protetivo contra as consequências do estresse para a saúde mental, e agora estamos conseguindo perceber esse efeito claramente em nossas pesquisas sobre as crianças e suas famílias durante a pandemia.

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