Nicola Worcman: alternativas às comunidades terapêuticas

Nicola Worcman

Quais são as alternativas às comunidades terapêuticas?

Neste vídeo, a psiquiatra e especialista em políticas públicas de drogas Nicola Worcman explica quais são as alternativas às comunidades terapêuticas e sua importância para a saúde pública. “As comunidade terapêuticas existem no Brasil desde a década de 60, mas recebendo financiamento público desde 2010. Essas comunidades terapêuticas foram alvo de diversas denúncias relacionadas à violação de direitos humanos, feitas e formalizadas por um relatório do Ministério Público, do Conselho Federal de Psicologia e do Mecanismo de Prevenção e Combate à Tortura, que são entidades brasileiras que demonstraram que muitas comunidades terapêuticas recebendo financiamento público violavam direitos humanos, estavam envolvidas em maus tratos das pessoas que fazem uso problemático de substâncias psicoativas e que são acolhidas nessas instituições. Então, a existência de modelos alternativos é fundamental, e no Brasil não é preciso inventar a roda para que a gente faça isso. O sistema de saúde brasileiro, o SUS, já possui uma rede de dispositivos que se articulam para ofertar um cuidado integral que não viole direitos humanos, que respeite a autonomia das pessoas que fazem uso problemático de drogas e essa rede e estes dispositivos, dos quais as próprias comunidades terapêuticas fazem parte desde 2010, ela já existe. A questão é que as comunidades terapêuticas vêm recebendo, especialmente nos últimos cinco anos, um financiamento público do governo federal, pela pasta da justiça, estratosférico. Para se ter uma ideia, em 2010 o financiamento destinado a elas era de mais ou menos 10 milhões de reais, o orçamento reservado. Em 2020, estima-se que o orçamento reservado era de 300 milhões de reais. Existe um financiamento muito grande dessas comunidades terapêuticas, e em contrapartida, um desfinanciamento, um subfinanciamento de outros dispositivos de saúde que ofertam um cuidado integral para as pessoas que fazem uso problemático de substâncias psicoativas”, afirmou. Worcman é pesquisadora convidada do IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), um dos parceiros do Nexo Políticas Públicas.

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