
PERGUNTAS QUE A CIÊNCIA JÁ RESPONDEU
FOTO: Nexo Jornal
Qual a diferença entre raça, cor e etnia? O que é racismo? Veja como pesquisas respondem a cinco questões sobre o assunto
O racismo pode ser entendido como uma estratégia de determinados grupos na disputa por recursos e, de fato, no Brasil, tem definido ganhadores e perdedores em quase todos os campos da vida social. Para entender como esse fenômeno se reproduz, explicamos aqui a persistência do uso da raça — não mais como característica biológica, mas como persistência política —, sua relação com a cor da pele e com a ideia de etnia, além do uso dessas categorias pelo censo e a sua importância política. Tratamos do racismo como ideologia e como prática, das características específicas do racismo à brasileira e dos possíveis deslocamentos que a aparição de grupos de extrema direita provoca nesse cenário.
A principal resposta, e hoje a mais popular, que a ciência forneceu sobre esse tema é que “raças” não existem. Os traumas advindos do fascismo e do nazismo no pós-Segunda Guerra Mundial ensejaram a formação desse consenso entre biólogos, antropólogos e sociólogos...
Raça. Categoria do senso comum europeu medieval, originalmente usada para descrever as diferenças entre povos de linhagens e comportamentos distintos, como os germânicos e os gauleses. A partir do século 18, e em especial do século 19, ela foi associada ao vocabulário científico da biologia para descrever as diferenças entre as supostas subespécies da espécie humana...
O termo racismo apareceu no início do século 20. De lá para cá, esse termo tem sido usado para nomear representações, ideologias, atitudes, comportamentos e ações que resultem em hierarquizações de grupos humanos a partir de suas características físicas e culturais...
Essa foi uma das perguntas que tomaram conta da agenda das ciências sociais brasileiras desde meados do século 20. A resposta foi afirmativa e polêmica na medida em que teve que enfrentar reflexões teóricas, pesquisas empíricas e o senso comum de que o Brasil consiste numa democracia racial, isto é, onde o preconceito racial não existe ou seus efeitos são superficiais, sem grandes implicações para a cidadania dos negros...
Um fenômeno social estrutural como o racismo, persistente, duradouro e mutável, tem várias formas de manifestação. Uma das mais flagrantes é sua manifestação ideológica: o conjunto de representações simbólicas e discursos sobre as “cores” no Brasil. Como notou Clóvis Moura em seu pioneiro estudo sobre o preconceito de cor na literatura de cordel
Matheus Gato é professor do Departamento de Sociologia do IFCH-Unicamp (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas). É pesquisador do Núcleo Afro do Cebrap (Centro de Brasileiro de Análise e Planejamento). É doutor em sociologia pela USP (Universidade de São Paulo) (2015) e realizou pós-doutorado na mesma instituição (2016-2019). Foi visiting fellow no Hutchins Center for African and African American Studies da Universidade de Harvard (2017-2018). Seus principais temas de investigação são racismo, classificações raciais, violência racial, intelectuais negros, literatura e pós-abolição. É autor do livro “O massacre dos libertos: sobre raça e república no Brasil (1888-1889)”.
José Maurício Arruti é professor doutor do Departamento de Antropologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Desenvolve pesquisas com comunidades quilombolas e povos indígenas, em especial sobre políticas de reconhecimento, território, memória e educação. Recentemente tem desenvolvido pesquisas sobre povos indígenas em contextos urbanos. Foi pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) (2003 a 2006) e professor da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) (2007 a 2011), atuando também no campo da antropologia pública (1997 a 2007), como coordenador de projetos de pesquisa, comunicação e advocacy voltados a comunidades indígenas e quilombolas. Em 2018 realizou estágio pós-doutoral Fapesp na Jackson School of International Studies da Universidade de Washington.
Marta Machado tem graduação, mestrado e doutorado em direito pela USP (Universidade de São Paulo). É professora em regime de período integral da Escola de Direito de São Paulo da FGV (Fundação Getulio Vargas) e coordenadora do Núcleo de Estudos sobre o Crime e a Pena da mesma instituição. É pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e membro do Núcleo Direito e Democracia. Entre suas principais linhas de pesquisa encontram-se os processos de juridificação de demandas sociais e as relações entre movimentos sociais e direito, nas quais vem desenvolvendo estudos aplicados aos campos do racismo e das relações de gênero. Foi pesquisadora visitante de diversas universidades, entre elas a Universidade da Califórnia, em Berkeley, e o Instituto Latino Americano da Freie Universität Berlin.
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