FOTO: Adriano Machado/Ueslei Marcelino/Reuters

O primeiro ano de pandemia no Brasil em 43 eventos

Crise do novo coronavírus vem sendo marcada por falta de coordenação do governo federal. Relembre o que aconteceu no país desde fevereiro de 2020

Uma morte a cada dois minutos, 32 mortes por hora e 775 mortes por dia: esses foram os números de brasileiros e brasileiras que tiveram suas vidas ceifadas durante um ano de pandemia de covid-19 no Brasil. Após a primeira morte confirmada, em 17 de março de 2020, o vírus fez 282.127 vítimas no país até 17 de março do ano seguinte. Em abril de 2021, o número passa de 340 mil óbitos.

Com o surgimento de novas variantes do coronavírus no território e a falta de medidas de isolamento social, os 16 primeiros dias do mês de março de 2021 bateram recordes assustadores, com 1.699 mortes confirmadas por dia, total que corresponde a 71 óbitos por hora ou 1,18 por minuto. Ao mesmo tempo, o Brasil vive o maior colapso sanitário e hospitalar da sua história, com 24 estados e o Distrito Federal com taxas de ocupação de leitos de UTI para pacientes adultos infectados iguais ou superiores a 80%, sendo a ocupação superior a 90% em 15 estados. Segundo nota técnica do Ieps (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), se o número de mortes continuar no ritmo atual, o Brasil pode ultrapassar em junho o total de vidas perdidas pela covid-19 em 2020, com uma aceleração de 84% na média diária de óbitos.

Hoje, a vacinação em massa e o isolamento social são as principais apostas para evitar que o Brasil continue sendo um celeiro do vírus e de suas novas variantes. O Observatório Covid-19, que reúne especialistas brasileiros pertencentes a universidades e instituições do Brasil e do exterior, em carta aberta do dia 3 de março de 2021, propôs quatro medidas urgentes para contenção da pandemia, entre elas a adoção imediata de lockdown em todo o país, com a abertura somente de serviços essenciais, e a ampliação maciça da campanha de vacinação, seja a partir da importação de fabricantes estrangeiros, seja por meio de maior apoio à produção nacional.

No entanto, tais ações, essenciais para desacelerar o ritmo de infecções e de mortes por covid-19 e evitar o colapso do sistema hospitalar do país, dependem de esforços de coordenação do governo federal, que foram deixados de lado neste ano de crise sanitária. Nesta linha do tempo, relembramos os principais eventos que culminaram na crise vivenciada no país após o marco de um ano de pandemia, com um enfoque especial nos eventos que apontam para a falta de coordenação nacional no enfrentamento ao coronavírus.

7 de fevereiro de 2020

Operação Regresso e início da quarentena

Com o agravamento da situação na cidade de Wuhan, então epicentro da contaminação pelo novo coronavírus, em lockdown desde o dia 23 de janeiro, 34 brasileiros e seus familiares estrangeiros vivendo na China foram repatriados com o auxílio do Ministério da Defesa, em missão conjunta com o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Saúde, chamada de “Operação Regresso”. Por ocasião, foi sancionada a lei n. 13.979, que dispôs sobre as medidas para o enfrentamento à covid-19, uma vez que a Organização Mundial da Saúde havia declarado estado de emergência de saúde pública de importância internacional. O dispositivo estabeleceu, entre outras coisas, a possibilidade de adoção pelas autoridades de medidas de isolamento social segundo suas competências.

26 de fevereiro de 2020

Primeiro caso de covid-19 no Brasil

A primeira contaminação pelo novo coronavírus no Brasil foi identificada na cidade de São Paulo, em um morador do sexo masculino de 61 anos que havia estado duas semanas antes viajando pela região da Lombardia, no norte da Itália. A essa altura, o mundo já tinha registros de mais de 80 mil casos de pessoas infectadas pela doença e 2.700 óbitos em 34 países. A maioria das ocorrências estava concentrada na China, onde a doença eclodiu.

11 de março

OMS declara pandemia

Após o número de casos de covid-19 aumentar 13 vezes e o número de países afetados triplicar fora da China, chegando a todos os continentes do mundo, a OMS (Organização Mundial da Saúde) alterou o status de emergência de saúde pública de importância internacional para pandemia. Em pronunciamento esperançoso, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, chamou a atenção para a necessidade de uma resposta internacional de maneira coordenada, na busca por um equilíbrio entre proteger a saúde, minimizar as perdas econômicas e sociais e respeitar os direitos humanos.

17 de março de 2020

Primeiro anúncio de uma morte por covid-19 no país

O primeiro caso de morte por infecção pelo novo coronavírus foi registrado no estado de São Paulo. A vítima foi um homem de 62 anos com histórico de diabetes, hipertensão e hiperplasia prostática que havia sido internado quatro dias antes da data do falecimento. A posteriori, ajustes no boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, entretanto, indicaram que a primeira morte no país havia ocorrido no dia 12 de março, na cidade de São Paulo. A vítima havia sido uma paciente de 57 anos, internada um dia antes no Hospital Municipal Doutor Carmino Caricchio, no bairro de Tatuapé.

24 de março de 2020

“É só uma gripezinha”

O presidente Jair Bolsonaro fez críticas às medidas de isolamento social adotadas pelos governadores, como o fechamento de escolas e serviços não essenciais, e culpou a imprensa por, na sua visão, espalhar pânico entre a população. No pronunciamento, o chefe do Executivo disse, ainda, que “no meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho…”

16 de abril de 2020

Ministro da Saúde é demitido do cargo

Após protagonizar uma série de divergências com o presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta foi demitido. Entre os episódios conflituosos, o de maior destaque foi uma entrevista coletiva no sábado, 28 de março, na qual o ministro havia defendido a necessidade do isolamento social horizontal (em que o maior número possível de pessoas deve permanecer em casa), indo em direção contrária ao posicionamento do Planalto, em defesa de uma política de isolamento vertical (somente para idosos e pessoas classificadas como grupo de risco da covid-19).

5 de maio de 2020

Brasil fica de fora da ACT Accelerator

A OMS, em conjunto com governos e entidades privadas, lançou em 24 de abril uma plataforma de cooperação internacional para acelerar o desenvolvimento de vacinas e remédios contra o coronavírus, chamada de ACT Accelerator (ou acelerador do acesso a instrumentos para a covid-19, na sigla em inglês). O Brasil, entretanto, acompanhou o posicionamento dos Estados Unidos, ainda liderado pelo republicano Donald Trump, e rejeitou a proposta de cooperação, sob a visão de que as ações da Organização Mundial da Saúde constituíam uma ameaça à soberania nacional.

9 de maio de 2020

10 mil mortos por covid-19 no país

Em menos de três meses desde o primeiro caso confirmado de infecção pelo coronavírus no Brasil, os principais jornais do país estamparam manchetes com a marca de 10 mil mortes em decorrência do novo coronavírus. Havia quase 156 mil pessoas infectadas desde fevereiro e um segundo recorde de 10.600 casos confirmados em 24 horas. No ranking internacional da tragédia, o Brasil era o sexto país com o maior número de óbitos por covid-19.

15 de maio de 2020

Queda de segundo ministro da Saúde

Menos de um mês após assumir a posição, o ministro da Saúde, Nelson Teich, deixou o cargo sob discordâncias com o presidente Jair Bolsonaro a respeito do estabelecimento de um protocolo para a administração da cloroquina e hidroxicloroquina — medicamentos sem eficácia comprovada — em pacientes com sintomas leves da covid-19 e, novamente, sobre a execução de medidas de distanciamento social. No mesmo dia, o Amapá foi o primeiro estado a decretar isolamento total em todos os municípios, após um aumento de 217% na quantidade de casos de covid-19, que havia sufocado o sistema de saúde local.

6 de junho de 2020

Mudanças na divulgação dos dados

O portal do Ministério da Saúde deixou de divulgar informações sobre o histórico de infectados e mortos pelo coronavírus, passando a informar apenas os registros das últimas 24 horas. Segundo o Ministério, o formato anterior não representava a realidade do momento do país por não retratar o fato de que a maior parcela da população já havia se recuperado da doença. A medida foi recebida sob críticas pela imprensa e organizações que defendem transparência e controle social, que apontaram a nova metodologia como uma forma de manipulação dos dados por parte do governo.

20 de junho de 2020

Uso emergencial da vacina Oxford/AstraZeneca

A vacina de Oxford/AstraZeneca, que teve o início dos seus testes no final de abril, no Reino Unido, foi aprovada para uso emergencial no Brasil e incluída no Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. Os testes começaram a ser realizados em voluntários brasileiros, levando o país a ser o primeiro a experimentar o fármaco depois do Reino Unido. No dia anterior, o número de infectados pelo vírus no Brasil havia chegado à marca de 1 milhão de pessoas.

27 de junho de 2020

Cooperação Fiocruz-Astrazeneca

O governo federal anunciou um acordo com a farmacêutica AstraZeneca, que desenvolvia uma vacina contra a covid-19 com a universidade de Oxford, de transferência de tecnologia para produção local e autônoma do fármaco pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Em uma live nas redes sociais, o presidente Bolsonaro afirmou: “Se fala muito da vacina da covid-19. Nós entramos naquele consórcio lá de Oxford. Pelo que tudo indica, vai dar certo e 100 milhões de unidades chegarão para nós. Não é daquele outro país, não, tá ok, pessoal?”, reiterando o seu posicionamento contra a aquisição de vacinas advindas da China.

3 de julho de 2020

Bolsonaro abranda lei sobre obrigatoriedade de uso de máscaras

Ao sancionar lei aprovada pelo Congresso Nacional que determinava o uso de máscaras em locais públicos, Bolsonaro vetou a obrigação do item em estabelecimentos comerciais, indústrias, igrejas e templos, sob a justificativa de que a medida consistiria em violação de domicílio. Foi vetada também a obrigação do poder público de distribuir máscaras de graça para a população de baixa renda, de aplicar multas para quem não usa máscaras e de fazer campanhas para incentivar o seu uso. Embora a lei sirva de referência para todo o país, em abril o Supremo Tribunal Federal decidiu por unanimidade que as medidas do governo federal não afastavam a competência dos estados e municípios e que o cidadão deveria seguir as regras estabelecidas no local onde mora.

7 de julho de 2020

A culpa é de quem?

Alvo de críticas pela série de eventos em que esteve circulando entre pessoas sem fazer uso de máscara, o presidente Jair Bolsonaro testou positivo para covid-19. Apesar de doente, voltou a defender a flexibilização do isolamento social e o uso de hidroxicloroquina e azitromicina como tratamento. Em adição, ele afirmou que as críticas ao país deveriam ser repassadas a governadores e prefeitos, alegando que o governo federal havia cumprido com o seu papel de repasse de recursos para o enfrentamento à crise.

25 de julho de 2020

Pico da primeira onda de contaminação

Com a chegada do inverno e da conhecida temporada de gripe, o Brasil atingiu o pico da primeira onda de contaminação prenunciado por especialistas. Segundo dados do Ministério da Saúde, na semana de 19 e 25 de julho o país registrou o maior número de óbitos de toda a pandemia até então: 7.677 pessoas morreram em sete dias e, mais tarde, no dia 29 de julho, foram 1.595 mortes em apenas 24 horas.

8 de agosto de 2020

100 mil mortes por covid-19 no país

Batendo mais um recorde com 100 mil mortes e 3 milhões de infecções provocadas pela covid-19 desde o início da crise, o país passou a ocupar o segundo lugar no ranking internacional em número de casos e óbitos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, com 4,9 milhões de infectados e 161 mil mortos até então.

11 de agosto de 2020

Sinais de esperança vindos da Rússia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou o registro da primeira vacina contra o novo coronavírus, a Sputnik V, e garantiu que o imunizante estava pronto — tendo sido, inclusive, testado em uma de suas filhas. No entanto, a vacina não havia cumprido os testes da fase 3 até aquele momento, consequentemente, não recebeu aprovação da OMS e da comunidade internacional. No Brasil, o Instituto Butantan testava a Coronavac, vacina desenvolvida em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, em 9.000 voluntários de seis estados do país.

12 de agosto de 2020

TCU cobra Plano Nacional de Vacinação e ministério cancela a aquisição de medicamentos

O Tribunal de Contas da União estabeleceu o prazo de 15 dias para que a Casa Civil da Presidência da República apresentasse plano de ação para aquisição, produção e distribuição de doses de vacina contra o coronavírus. O ministro Vital do Rego, relator do processo, criticou a ineficiência e a baixa atuação do governo federal no combate à crise e apresentou indicativos de que menos de 8% do orçamento previsto havia sido investido na aquisição de leitos de UTI, equipamentos e medicamentos, entre outras ações de saúde. O governo, entretanto, por meio da Advocacia-Geral da União, recorreu da decisão.

No mesmo dia, de acordo com informações do CNS (Conselho Nacional de Saúde), o Ministério da Saúde cancelou a operação Uruguai 2, que tinha por objetivo a compra de medicamentos do chamado kit intubação. Os motivos para o cancelamento não foram esclarecidos pelo ministério, apesar de alertas feitos pelo Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e pelo Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) em maio para um possível desabastecimento.

14 de agosto de 2020

As três negativas à Pfizer

A primeira proposta de venda de vacinas da Pfizer para o Brasil previa a entrega de 500 mil doses em dezembro de 2020, totalizando 70 milhões até junho de 2021. Quatro dias depois, a oferta aumentou para 1,5 milhão de doses ainda em 2020, com possibilidade de mais 1,5 milhão até fevereiro de 2021. Ainda, uma terceira proposta foi apresentada em 11 de novembro. Não houve sinalização positiva do governo federal para nenhuma das três propostas, e o Brasil acabou perdendo o lugar na negociação para outros países.

1º de setembro de 2020

“Ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”

Na contramão da recomendação dos especialistas sobre a necessidade de vacinação em massa para a construção de imunidade de rebanho na população, o presidente Jair Bolsonaro, afirmou, na noite de segunda-feira (31), que “ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”. Na tarde do dia seguinte, a Secretaria de Comunicação do governo federal institucionalizou a declaração com uma publicação no Twitter trazendo a mensagem adicional de que “o governo do Brasil preza pelas liberdades dos brasileiros”.

18 de setembro de 2020

Brasil adere ao Covax Facility

O Brasil confirmou a intenção em aderir ao plano Covax Facility, iniciativa coordenada pela OMS com o objetivo de acelerar o desenvolvimento e a fabricação de vacinas contra a covid-19 a partir da alocação de recursos para que todos os países aderentes à iniciativa tivessem acesso igualitário à imunização. Com a liberação de R$ 2,5 bilhões pelo governo federal para integrar o programa, o país pôde garantir acesso a nove vacinas em desenvolvimento na época.

24 de outubro de 2020

Disputa política pela vacina

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), assinou contrato com a Sinovac para o provimento de 46 milhões de doses da vacina Coronavac para o estado e a transferência tecnológica da vacina ao Instituto Butantan, possibilitando a fabricação do fármaco em território brasileiro. No Twitter, o presidente Jair Bolsonaro questionou o bilionário aporte financeiro no que chamou de “a vacina chinesa de João Doria” — que ainda não havia chegado à fase 3 de testagem — e desautorizou a compra do imunizante pelo governo federal, diferentemente do anunciado pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na terça-feira (20).

29 de outubro de 2020

Queda do número de mortes

Dados do boletim epidemiológico para covid-19 do Ministério da Saúde apontaram para uma queda de 25% na média de registros de óbitos no país. Na ocasião, com investimentos previstos no valor de R$ 1,5 bilhão, o Ministério da Saúde lançou o programa Vigiar SUS, que previa a adoção pelo país de uma estratégia nacional para a prevenção e controle de surtos e epidemias, bem como garantir o correto armazenamento e distribuição de vacinas. Sobre as medicações em desenvolvimento, a vacina Sputnik V, da Rússia, teve seu processo de registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) iniciado, com o envio dos documentos preliminares para a agência.

15 de novembro de 2020

Segunda onda de contaminações

Segundo dados da Fiocruz dos dias 8 a 14 de novembro, o número de pacientes internados com doenças respiratórias graves cresceu em regiões de 15 estados brasileiros, incluindo 10 capitais, o que poderia significar uma segunda onda de infecções por covid-19 ou a continuação de uma primeira onda inacabada. Por outro lado, após resultados animadores da vacina de Oxford/AstraZeneca, a fundação, parceira de fabricação da vacina, aumentou sua meta de vacinação — antes de 100 milhões de pessoas em 2021 — para 130 milhões. Na ocasião, o Brasil também chegou à fase 3 de testes com a vacina Coronavac, mas a morte de um dos voluntários fez a Anvisa suspender temporariamente os estudos com a vacina, que foram retomados após apuração pela agência de que o caso não tinha relação com o imunizante.

24 de novembro de 2020

STF cobra Plano Nacional de Vacinação

Ainda com o país sem um Plano Nacional de Vacinação, e atendendo a pedidos de partidos da oposição, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, publicou voto em defesa de que o governo apresentasse a estratégia de vacinação contra a covid-19. O ministro ressaltou que, diante da possibilidade concreta de que diversas vacinas completassem com sucesso o seu ciclo de testes, era indispensável que a União considerasse a sua utilização, não podendo fazer distinções imotivadas ou com base em questões outras que não as evidências científicas.

10 de dezembro de 2020

Flexibilização das regras para uso emergencial de vacinas

A Anvisa aprovou as regras para a autorização temporária de uso emergencial em caráter experimental de vacinas contra a covid-19, de maneira restrita aos imunizantes que já estivessem em testes no Brasil. A decisão indicou que as vacinas aprovadas sob essa condição poderiam ser distribuídas pelo SUS (Sistema Público de Saúde), mas não comercializadas no país.

Segundo as novas regras, os pedidos deveriam ser protocolados de maneira individual pela empresa desenvolvedora de cada vacina e a aprovação seria dada por decisão colegiada da diretoria da Anvisa, desde que o estudo clínico da vacina estivesse na fase 3 — última etapa de testes — no Brasil. A análise da Anvisa também considera a qualidade da vacina, boas práticas de fabricação, estratégias de monitoramento e controle, bem como resultados provisórios de ensaios clínicos.

15 de dezembro de 2020

Divulgação do Plano Nacional de Vacinação

Cumprindo o ultimato do STF, o governo brasileiro apresentou um rascunho de seu plano de vacinação contra a covid-19. Com 94 páginas, o documento foi considerado impreciso por autoridades e especialistas de saúde, não estabelecendo, por exemplo, uma data específica para o início da imunização. No que se refere à operacionalização da vacinação em si, o texto falava em uma divisão em quatro etapas, que iriam variar de acordo com os grupos prioritários. Já o governo de São Paulo havia anunciado na segunda-feira (7) anterior a data de início de vacinação para a população paulista para o dia 25 de janeiro de 2021.

17 de dezembro de 2020

STF decide pela obrigatoriedade da vacinação

Por 10 votos a 1, com exceção do ministro Nunes Marques, que votou para que só a União pudesse determinar a vacinação compulsória, o Supremo decidiu que a obrigatoriedade da vacinação contra o coronavírus e a implementação de sanções contra quem não se imunizasse poderiam ser estabelecidas no âmbito dos municípios, estados e Distrito Federal. A tese vencedora entendeu pela supremacia do interesse coletivo em detrimento ao interesse individual diante da emergência sanitária gerada pela pandemia. Foi descartada a exigência de consentimento prévio dos brasileiros para a imunização.

Sobre o avanço no desenvolvimento de vacinas, embora o imunizante do laboratório americano Pfizer e do alemão BioNTech tivesse sido testado durante a sua terceira fase no Brasil e que países como Reino Unido, Estados Unidos e México houvessem sinalizado positivamente para ele ou já iniciado suas campanhas de vacinação, o presidente Bolsonaro mais uma vez questionou a eficácia e os efeitos colaterais das vacinas contra a covid-19.

Citando o contrato da Pfizer, em que consta o aviso de que a fabricante não se responsabiliza por efeitos colaterais das vacinas, o presidente fez a seguinte declaração: “Se você virar um jacaré, é problema de você, pô. Se você virar um super-homem, se nascer barba em alguma mulher ou algum homem começar a falar fino, eles não têm nada a ver com isso. E, o que é pior, mexer no sistema imunológico das pessoas”.

24 de dezembro de 2020

No Natal, aumento de imposto sobre cilindros de oxigênio

Às vésperas do Natal, o Ministério da Economia aumentou a alíquota de importação sobre os cilindros de oxigênio, item indispensável para o combate e o tratamento da covid-19. A partir de documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, o aumento do imposto foi causado pelo Ministério da Saúde, que havia excluído os cilindros da lista enviada para o Ministério da Economia de produtos contemplados com tarifa zero para importação. A revogação continuou valendo até a primeira quinzena de janeiro.

31 de dezembro de 2020

Ano novo, novas esperanças

O Instituto Butantan divulgou de maneira extra-oficial que a vacina Coronavac havia conseguido atingir o limiar de eficácia mínimo requerido pela OMS, que consiste em 50% — e é também o limite utilizado para permitir o pedido de autorização emergencial. O Brasil também participou da fase 3 de testes da vacina de Oxford, que havia tido seu uso emergencial aprovado no Reino Unido. A previsão do Ministério da Saúde para início da vacinação no Brasil ficou entre os dias 20 de janeiro a 10 de fevereiro de 2021.

11 de janeiro de 2021

“A vacina vai começar no dia D, na hora H no Brasil”

Durante visita a Manaus, alguns dias após o país atingir a marca de 200 mil mortos por covid-19 e ao ser cobrado sobre os prazos previsto para o Plano Nacional de Imunização contra o coronavírus, o ministro Pazuello declarou que “a vacina vai começar no dia D, na hora H, no Brasil” e que a vacinação ocorreria “a partir do terceiro ou quarto dia” após autorização feita pela Anvisa.

14 e 15 de janeiro de 2021

Falta de oxigênio e colapso em Manaus e incentivo ao “tratamento precoce”

O aumento progressivo no número de casos de covid-19 e do grande volume de internações desde dezembro levou ao colapso do sistema de saúde em Manaus e à falta de oxigênio para pacientes internados com a doença. Segundo defensores públicos que atuam em municípios do interior do Amazonas, entre os dias 15 e 19 de janeiro foram registradas pelo menos 30 mortes de pacientes com covid-19 e síndromes respiratórias por falta de oxigênio ou por falta de remoção para cidades com possibilidade de atendimento hospitalar.

Em meio ao colapso, equipes do Ministério da Saúde realizaram ronda em 13 unidades básicas de saúde do município para difundir a adoção de “tratamento precoce” de pacientes com covid-19 com o uso de cloroquina, hidroxicloroquina e o antibiótico azitromicina, drogas que não têm eficácia comprovada contra a doença.

15 de janeiro de 2021

Vacinação comprometida pela falta de previsão de chegada de vacinas

Na mesma semana em que a Fiocruz reconheceu que a falta de previsão para entrega do IFA (ingrediente farmacêutico ativo) chinês atrasaria a entrega dos primeiros lotes da vacina de Oxford/Astrazeneca produzidas no Brasil, a operação do governo federal para buscar 2 milhões de doses do imunizante na Índia foi abortada após veto do país. Segundo representantes do governo indiano, o Brasil se precipitou na organização da operação, pois não seria possível autorizar a exportação dos imunizantes enquanto o país não tivesse intensificado a sua própria campanha de vacinação.

Com a negativa da Índia, o Ministério da Saúde requisitou no mesmo dia que o Instituto Butantan enviasse ao governo federal 6 milhões de doses da vacina Coronavac. O instituto respondeu, afirmando que a entrega não seria possível devido à ausência de um plano para distribuí-las entre os estados. A medida foi encarada pelos secretários estaduais de Saúde como uma tentativa de confisco político. Na ocasião, especialistas apontaram a existência de dificuldades técnicas e burocráticas e de erros de diplomacia e política externa que ocasionaram o atraso no envio de ingredientes chineses para a Fiocruz e de imunizantes indianos para o país.

17 de janeiro de 2021

Primeiros vacinados no Brasil

A Anvisa autorizou por unanimidade o uso emergencial das vacinas Coronavac e da Universidade de Oxford/AstraZeneca contra a covid-19. Com a autorização, Mônica Calazans, de 54 anos, mulher negra pertencente ao grupo de risco e enfermeira, foi a primeira pessoa fora dos estudos clínicos a ser vacinada no país. Além dela, mais 111 pessoas foram imunizadas nesse dia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

20 de janeiro de 2021

Atualização do Plano Nacional de Vacinação

O Ministério da Saúde atualizou o Plano Nacional de Operacionalização da vacinação contra a covid-19, informando 77,2 milhões de pessoas previstas nos grupos prioritários — contra 49,6 milhões de pessoas, como indicava a primeira versão do documento —, o detalhamento sobre a primeira etapa de vacinação e a inclusão de novos grupos prioritários. O número de seringas e agulhas disponíveis para a imunização também aumentou: de 340 milhões para 510 milhões.

21 de janeiro de 2021

Ministério da Saúde retira do ar plataforma de aplicativo que recomendava “tratamento precoce”

Após críticas e uma nota pública do Conselho Federal de Medicina, o Ministério da Saúde retirou do ar o aplicativo TrateCov, lançado pelo ministro Eduardo Pazuello em visita a Manaus no dia 11 de janeiro. Na plataforma, pacientes com sintomas de covid-19 recebiam uma pontuação de gravidade da doença e, caso o diagnóstico fosse verificado, tinham a opção de receber ou não tratamento precoce. Para alguns casos, a prescrição de medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina e ivermectina, era recomendada pelo aplicativo. Em nota, o Ministério da Saúde alegou que “o sistema foi invadido e ativado indevidamente” e que o aplicativo não estava “funcionando oficialmente”.

16 a 19 de fevereiro de 2021

Vacinação é paralisada em municípios de diversas regiões do Brasil

Capitais como Rio de Janeiro, Salvador, Cuiabá e Curitiba, entre outros municípios, anunciaram a paralisação da imunização contra covid-19 devido à insuficiência de doses ou término de estoque. Segundo informações do site Our World Data, da Universidade de Oxford, até o dia 19, um total de 5,6 milhões de vacinas haviam sido aplicadas no Brasil, número correspondente a 2,6% da população brasileira.

23 de fevereiro de 2021

STF autoriza estados e municípios a comprar vacinas contra covid e vacina da Pfizer/BioNtech é a primeira a receber registro definitivo da Anvisa

A maioria dos ministros do STF decidiu que estados e municípios poderiam comprar e fornecer à população vacinas contra o coronavírus nos casos de descumprimento do Plano Nacional de Imunização pelo governo federal ou de insuficiência de doses previstas para imunizar a população. A liberação também foi estabelecida nos casos em que a Anvisa não concedesse autorização em 72 horas para uso de imunizantes aprovados por agências reguladoras internacionais. No mesmo dia, a Anvisa concedeu o registro definitivo à vacina da Pfizer/BioNtech, a primeira a obtê-lo no país. A empresa, que havia entrado com o pedido no dia 6 de fevereiro, ainda não tem imunizantes disponíveis no país.

5 de março de 2021

Brasil é apontado como “pária global” e “ameaça sanitária”

A condução da crise pelo governo brasileiro colocou o país em diversas manchetes ao redor do mundo, e dois dos jornais mais influentes do planeta — o britânico The Guardian e o norte-americano The New York Times — abordaram a tragédia brasileira com a covid-19 e posicionaram o país como “ameaça sanitária global”. Até aquela data, 18 países haviam suspendido voos ou estabelecido restrições a passageiros saídos do Brasil, por receio de propagação do novo coronavírus e de suas variantes.

7 de março de 2021

Dados preliminares otimistas sobre os efeitos da vacinação

Após um mês de vacinação, segundo dados preliminares da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, o número de mortes de idosos com mais de 90 anos caiu 70% entre janeiro e fevereiro de 2021 na cidade de São Paulo. Em Pernambuco, um levantamento da Secretaria Estadual de Saúde mostrou uma diminuição de 29% nos registros de pedidos por UTI para idosos com mais de 85 anos com covid-19 e redução de cerca de 25% nos casos de síndrome respiratória aguda grave nessa faixa etária.

10 de março de 2021

Sanção de lei que facilita a compra de vacinas e marco de 40 eventos com aglomerações no Planalto

Em cerimônia convocada às pressas após o pronunciamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governo federal sancionou leis que facilitaram a compra de vacinas contra a covid-19 pela União, pelos governos estaduais e municipais e pela iniciativa privada. Na ocasião, Bolsonaro e demais autoridades usaram máscaras e o presidente adotou um discurso pró-vacina. No entanto, ao discursar, Bolsonaro minimizou a importância do isolamento social e defendeu novamente o que chamou dessa vez de “tratamento imediato”. Segundo levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo, até o dia 10 de março o Planalto havia promovido 40 eventos com aglomerações no Planalto.

15 de março de 2021

Anúncio do quarto ministro da Saúde

Após 10 meses, o presidente Bolsonaro substituiu o general Eduardo Pazuello pelo cardiologista Marcelo Queiroga no Ministério da Saúde. Em sua primeira entrevista depois de ser confirmado no cargo, o médico se posicionou dizendo que o lockdown é uma medida a ser adotada apenas em “situações extremas” e que não pode ser encarada como política de governo. O novo ministro disse, ainda, que pretendia priorizar a criação de “uma grande união nacional” e o fortalecimento do papel de liderança do Ministério da Saúde na condução da crise.

17 de março de 2021

Saldo após um ano de covid-19 no Brasil

Após o marco de um ano, as mortes causadas pelo coronavírus já superaram os números da epidemia de Aids no país. Entre 1996 e 2019, as mortes por aids foram de aproximadamente 281 mil brasileiros, letalidade ultrapassada pelas 282.127 vítimas de covid-19 até 17 de março de 2021.

Outro dado que torna as perspectivas de superação da pandemia mais pessimistas é o crescimento lento do número de pessoas vacinadas no país. Segundo dados do Ministério da Saúde, após dois meses do início da campanha de vacinação e até o dia 17 de março, apenas 10,3 milhões de brasileiros haviam sido imunizados, o que corresponde a 4,91% da população do país. Em projeção da Fiocruz, caso o ritmo atual de vacinação seja mantido, o país só estará completamente vacinado dentro de 995 dias, ou dois anos e meio.

Parceiros

AfroBiotaBPBESBrazil LAB Princeton UniversityCátedra Josuê de CastroCENERGIA/COPPE/UFRJCEM - Cepid/FAPESPCPTEClimate Policy InitiativeDRCLAS - HarvardIEPSJ-PalLAUT