Urbanismo

sobre fundo roxo, palavras relacionadas ao tema do urbanismo
O que é caminhabilidade? O que é morfologia urbana? O que são os olhos da rua? Entenda conceitos relacionados ao planejamento e ao cotidiano das cidades
  • Caminhabilidade

    A expressão, do inglês walkability. de modo geral se refere a quanto dada região é amena para a circulação de pedestres. Os fatores que influenciam isso incluem a morfologia urbana, a arborização viária, a presença de espaços públicos e o tipo de ocupação dos espaços térreos (muitas vezes, fachadas ativas, que acontecem no nível da rua). É um conceito importante na exploração de projetos de espaços públicos, de acessibilidade e de intermodalidade, uma vez que todos somos pedestres.

  • Cidades inteligentes

    O conceito, do inglês smart cities, propõe que cidades usem uma série de tecnologias de coleta e gestão de informação a fim de aumentar e centralizar o controle dos processos que acontecem em seu espaço. As tecnologias utilizadas incluem, por exemplo, sensores que monitoram serviços públicos (coleta de lixo, água, esgoto, luz) e coletam informações que podem ser utilizadas para sua otimização e melhorias. Em teoria, nas smart cities os cidadãos têm acesso a diversos benefícios com a centralização e digitalização dos processos e serviços oferecidos e administrados pelas cidades. Entre eles está o monitoramento do sistema de transporte em tempo real, podendo saber exatamente quando um ônibus irá chegar, ou o estreitamento das comunicações entre os cidadãos e as agências e empresas públicas prestadoras de serviço.

  • Cidades policêntricas

    A expressão diz respeito a um modelo de planejamento e de urbanização no qual as atividades econômicas de uma cidade acontecem em volta de diversos polos, o que gera implicações em sua morfologia, seus usos reais e em como seus múltiplos sistemas operam (transporte, saneamento, energia, etc.). Alguns dos modelos de “cidades tradicionais” que estudam a geografia e economia urbana (W. Christaller, Von Thunen) olham para a cidade como uma série de hierarquias, nas quais um único centro dita as organizações a sua volta e em sua função, e nesse contexto, a cidade policêntrica é um modelo que contrasta com essa “cidade tradicional“. O tema se torna pertinente dentro do debate de desenvolvimento sustentável quando sugere que um modelo no qual diversos centros econômicos são planejados nas cidades são favoráveis por potencialmente reduzir os deslocamentos necessários no território urbano, além de estimular o desenvolvimento de outras regiões, assim potencialmente consolidando uma maior escala de desenvolvimento orientado ao transporte.

  • Desenvolvimento orientado ao transporte

    O conceito propõe que o planejamento urbano seja feito de modo integrado, isto é, que consiga coordenar a ocupação do solo em conjunto com o sistema de transporte, a fim de reduzir ou mitigar os efeitos do espraiamento urbano (nome dado a quando cidades se espalham de modo horizontal, ocupando uma área cada vez mais extensa e se afastando dos centros) e aumentar o número de pessoas que têm acesso à mobilidade urbana. O desenvolvimento orientado ao transporte contribui para que o desenvolvimento de novos projetos urbanos (comércios, residências, empresas) aconteça onde já existe, ou onde pode existir um sistema de transporte que suporte essa expansão.

  • Fachada ativa

    A fachada ativa é uma caracterização para atividades (em outras palavras, para um tipo de uso e ocupação do solo) que acontecem no nível térreo dos edifícios nas cidades. Uma fachada ativa se refere a uma loja, restaurante, café ou serviço que acontece no nível da rua, de modo que quem passa na frente da fachada pode interagir com o ambiente, ou ao menos ver o que ali acontece. Opostos de uma fachada ativa são, por exemplo, uma empena cega (parede externa que fica nas laterais dos edifícios, geralmente sem abertura) ou um muro. As fachadas ativas desempenham o papel de criar ruas mais seguras, além de promover estímulos para atrair fluxos de pedestres.

  • Morfologia urbana

    O termo refere-se ao campo teórico e prático que tem como objeto de estudo as formas físicas das cidades: as alturas e larguras dos prédios, as larguras das vias, a presença dos parques, praias, rios e praças. É entendido como o resultado de um complexo processo de produção do espaço, sujeito a fatores ambientais, econômicos, sociais, culturais e históricos. Por vezes, é utilizado para falar de um conjunto de fatores que resultam em como vivemos nas cidades e quais efeitos elas têm nas pessoas, e qual a forma resultante do espaço urbano.

  • Olhos da rua

    Apresentado e explorado inicialmente pela ativista Jane Jacobs em seu paradigmático livro “Morte e vida de grandes cidades” (1961), o conceito se refere ao ato recíproco das pessoas de se observarem nas ruas. Jacobs considera esse ato positivo e diz que ele reforça a segurança, apropriação e pertencimento das pessoas nos espaços públicos.

  • Plano Diretor

    É a principal ferramenta de planejamento urbano no Brasil e o instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão de cidades. Criado pela lei federal n. 10.257/2001, tem como função definir como as cidades podem se ocupar, crescer, se preservar e se desenvolver.

  • Resiliência urbana

    Explorado pelos professores de design urbano e planejamento do MIT e Cornell, Lawrence Vale e Thomas Campanella, no livro “The Resilient City” (2010), e mais tarde pela organização 100 Resilient Cities, da Rockefeller Foundation, a ideia entende a cidade como um território sensível e suscetível a fatores externos e internos que podem comprometer a vida no espaço urbano. A resiliência parte do pressuposto de que pressões e mudanças são constantes e devem afetar a vida nas cidades. Assim, a resiliência, diferentemente do planejamento urbano tradicional, não procura necessariamente enfrentar os problemas diretamente, mas mitigar ou atenuar as consequências e efeitos agravantes deles. Desta forma, a resiliência se torna um conjunto de instrumentos ou práticas que asseguram às cidades a capacidade ou qualidade de resistirem melhor às crises e seus efeitos.

  • Ruas completas

    Do inglês complete streets, o conceito refere-se a ruas que são projetadas para serem seguras e inclusivas para usuários de diferentes modais de transporte, com prioridade aos modais ativos (a pé, bicicleta, entre outros). As ruas completas são definidas pelo Departamento de Transporte do Estados Unidos, dentre outros órgãos públicos e não-governamentais, como uma categoria de política pública de transporte que promove melhorias significativas de saúde pública, reduzindo acidentes de trânsito e incentivando o uso da via por mais pedestres e ciclistas.

  • Soluções baseadas na natureza

    É um conjunto de propostas em diferentes frentes para alcançar o desenvolvimento sustentável, com o objetivo de lidar com os efeitos das mudanças climáticas. A premissa de todas essas soluções entende que as “soluções tradicionais” (infraestrutura tradicional; também conhecidas como “infraestrutura cinza” muitas vezes grandes obras de concreto) que tentam controlar os efeitos dos ecossistemas e territórios são muitas vezes ineficientes, limitadas e caras para serem implementadas, e que há uma alternativa mais eficiente, duradoura e barata baseada na natureza. Entre os conceitos que as SbN incorporam estão a redução de riscos de desastres, adaptações climáticas, infraestrutura verde, engenharia ecológica e outras formas de atuação. Seus princípios básicos incluem priorizar a conservação ambiental e partir disso para elaborar soluções que respeitem e fortaleçam os ecossistemas.

  • Uso e ocupação do solo

    É a categoria básica utilizada para descrever as atividades que acontecem em um lote ou quadra nas cidades. É a determinação do uso e ocupação do solo, estabelecida nos zoneamentos do plano diretor, que diz que dado lugar na cidade pode ter um edifício residencial, uma indústria, um parque ou um comércio.

  • Usos mistos

    A expressão se refere a uma categoria de uso e ocupação do solo que determina que dado lugar pode ter mais de um uso simultaneamente. O uso misto com usos comercial e residencial, por exemplo, pode ser atribuído a um edifício que tem residências a partir do primeiro andar, mas uma padaria no térreo.

Bibliografia

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Glaeser, E. (2011). Triumph of the City. New York: Penguin Publishing Group.

Jacobs, J. (1961). The death and life of great American cities. New York: Random House.

Kabisch, N., Korn, H., Stadler, J., & Bonn, A. (2017). Nature-Based Solutions to Climate Change Adaptation in Urban Areas :Linkages between Science, Policy and Practice (1st ed. 2017. ed., Theory and Practice of Urban Sustainability Transitions). Cham: Springer International Publishing : Imprint: Springer.

Lynch, K. (1981). A theory of good city form. Cambridge, Mass.: MIT Press.

Mostafavi, M., & Doherty, G. (2016). Ecological urbanism (Revised ed.). Zürich, Switzerland: Lars Müller.

Prefeitura Municipal de São Paulo (2019). Plano Diretor Estratégico: 5 Anos da Lei 16.050/2014. São Paulo, SP.: SMDU/PLANURBE

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