Transporte urbano

Mariana Giannotti e Pedro Logiodice

WikicommonsÀ direita, um homem anda de bicicleta sobre uma faixa vermelha pintada no asfalto. Ele está em uma área que é também de faixa de pedestres. Além dele, vê-se na foto um semáforo, outros carros e ônibus e parte da fachada do Masp.Ciclovia da avenida Paulista, em São Paulo
O índice de mobilidade corresponde à relação entre o número de viagens e o número de habitantes de uma área. Entenda essa e outras questões relacionadas ao deslocamento em cidades
  • Acessibilidade universal

    Acessibilidade universal está relacionada ao direito de ir e vir de qualquer pessoa, inclusive aquelas com deficiências físicas, visuais ou auditivas, gestantes, idosos e crianças. Garantir a acessibilidade universal significa possibilitar a essas pessoas o acesso, com máxima autonomia e usabilidade, seja a edifícios, às calçadas, aos modos de transportes, painéis com informações ou outras tecnologias de comunicação.

  • Acessibilidade urbana

    A acessibilidade urbana é a facilidade com que os destinos ou oportunidades podem ser acessados em uma cidade. Uma região com alta acessibilidade é aquela onde se acessa em pouco tempo (ou baixo custo) um grande conjunto de destinos, seja pela disponibilidade de transporte ou pela proximidade de oportunidades. A acessibilidade pode ser calculada para diferentes modos de transporte (ativo, coletivo e motorizado individual), diferentes destinos (empregos, escola, equipamentos de cultura, etc.) e para diferentes intervalos de tempo.

    Amplamente utilizado em planejamento de transporte urbano, esse termo foi introduzido no campo por Hansen[1] há mais de 60 anos como o potencial de oportunidades para interação, uma medida sensível tanto a padrões de uso e ocupação do solo, quanto a aspectos de deslocamento e mobilidade.

    Estas duas plataformas permitem visualizar de forma interativa a acessibilidade urbana para diferentes modos de transporte e intervalos de tempo: o projeto ReSolution, do CEM (Centro de Estudos da Metrópole), e o projeto Acesso a Oportunidades, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

  • BRT

    BRT (Bus Rapid Transit) consiste em um sistema de ônibus de alta capacidade, com algumas características específicas: via segregada, embarque e desembarque no mesmo nível do veículo, sistema de pagamento fora do veículo, priorização semafórica, entre outras. Tais características, que podem variar entre as cidades onde os BRTs são implementados, conferem ao sistema confiança e eficiência, podendo alcançar um tempo de deslocamento comparável ao transporte urbano sobre trilhos (trem e metrô), porém a um custo de construção substancialmente menor (de 1% a 10% do valor). Mais informações sobre esse sistema de transporte podem ser encontradas no Manual de BRT do Ministério das Cidades.

  • Ciclovia, ciclofaixa e ciclorrotas

    Ciclovias são vias segregadas destinadas à circulação de bicicletas e outros modos de transporte ativo. Existe uma separação física da ciclovia com a via onde circulam veículos motorizados, que pode ser feita por canteiros, muros, áreas verdes ou outras formas de barreira.

    Ciclofaixas são faixas sinalizadas na pista de rolamento destinadas à circulação exclusiva de bicicletas e outros modos de transporte ativo. Não há, portanto, uma separação física com a via onde circulam os veículos motorizados, mas apenas sinalização por meio de pinturas ou elementos delimitadores, como os chamados tartaruga ou olho de gato.

    Ciclorrotas são caminhos (sinalizados ou não) recomendados para circulação de ciclistas. Assim, nesse caso não há qualquer tipo de proteção para o ciclista, que compartilha a pista de rolamento com os veículos motorizados.

  • Gentrificação

    Esse conceito se refere aos processos de mudança das paisagens urbanas e usos do solo, muitas vezes associados ao aumento da acessibilidade urbana, que podem valorizar determinadas regiões. A partir disso, novos moradores de rendas mais altas são atraídos ao lugar, alimentando o aumento de preços do mercado imobiliário e do custo de vida local, o que leva à expulsão dos antigos residentes, muitas vezes de rendas mais baixas e mais vulneráveis, com menor possibilidade de mobilidade no território urbano. O termo gentrificação é um neologismo de gentrification (gentry, “pequena nobreza”), usado pela primeira vez pela socióloga Ruth Glass no século 20 para descrever as mudanças observadas em diversos bairros operários de Londres.

  • Impedância

    A impedância no transporte urbano corresponde a qualquer tipo de obstáculo ao deslocamento. São exemplos de impedância: distância, tempo de viagem, número de transferências ou custo de transporte. Quanto maior a impedância, maior a dificuldade percebida pela pessoa ao realizar uma viagem por meio do sistema de transportes. A redução de impedâncias é essencial para o aumento da acessibilidade urbana.

  • Índice de mobilidade

    Esse índice é calculado em diversas cidades e corresponde à relação entre o número de viagens e o número de habitantes de determinada área. Quanto maior o índice de mobilidade, mais viagens são realizadas em média por pessoa. O índice de mobilidade pode estar relacionado à renda, sendo que pessoas com rendas maiores tendem a acessar mais destinos na cidade. Existe também o índice de mobilidade motorizada, que corresponde à relação entre o número de viagens motorizadas e o número de habitantes de determinada área, respectivamente. O mesmo vale para o índice de mobilidade ativa.

  • Mobilidade urbana

    Mobilidade urbana é definida como a capacidade de deslocamento de pessoas e produtos no espaço urbano. Ela mede a facilidade com que pessoas e produtos se deslocam pela cidade e está, portanto, intimamente relacionada aos sistemas de transporte. Esses deslocamentos podem ser realizados de diferentes modos (ativos ou motorizados), por meio da infraestrutura existente, como calçadas, ciclovias, ruas, trilhos. A mobilidade urbana é muito importante na vida das pessoas por ser um dos principais componentes no acesso a oportunidades como empregos, serviços, equipamentos de saúde, educação e lazer.

  • Transporte ativo

    É o modo de transporte mais antigo e de menor custo, ao mesmo tempo em que é o mais saudável para as pessoas e sustentável para as cidades. O transporte ativo consiste no deslocamento à propulsão humana. Pode ser a pé, com bicicleta, com cadeira de rodas ou qualquer outro modo que dependa da força física das pessoas.

    Apesar de o transporte ativo ser usado em uma a cada três das viagens realizadas na Região Metropolitana de São Paulo, pode-se constatar a priorização de modos motorizados em políticas públicas, como isenção de impostos para aquisição de automóveis e ampliação das vias dedicadas ao carro. A própria nomenclatura adotada em leis e pesquisas centrais para o planejamento de transportes, como a Política Nacional de Mobilidade Urbana Sustentável e a Pesquisa Origem e Destino, se refere ao transporte ativo como transporte “não motorizado”.

  • Uso do solo

    O uso do solo é a forma pela qual o ser humano e suas atividades ocupam o espaço geográfico. É uma combinação de um tipo de uso (atividade) e de um tipo de assentamento (edificação). A lei de uso do solo consiste em um instrumento de intervenção do Estado na organização espacial como parte do planejamento urbano. Essa lei regula o que pode ser construído e quais atividades podem ser exercidas nas diferentes regiões da cidade. Dessa forma, o uso do solo é um conceito central em políticas de acessibilidade urbana, pois está relacionado à distribuição espacial de oportunidades no tecido urbano.

  • Viagem intermodal

    Uma viagem intermodal é aquela que envolve dois ou mais modos de transportes. Assim uma viagem com o primeiro trecho a pé, o segundo de metrô e o último de ônibus é intermodal, por se utilizar de mais de dois modos de transporte em um deslocamento entre o ponto de origem e o destino. Do ponto de vista do transporte urbano de pessoas, a intermodalidade é vista como parte da solução para a mobilidade e acessibilidade urbanas. Mas, para isso, essas viagens devem ser projetadas de tal forma que as transferências — mudanças entre veículos ou modos de transportes — não impliquem grandes dificuldades aos usuários (impedâncias).

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