Mudanças climáticas

NASA/JPLImagem de satélite do horizonte terrestreImagem de satélite do horizonte terrestre
Alterações no clima são resultado do aumento na concentração de gases do efeito estufa na atmosfera, que é causado por emissões de atividades humanas como a indústria, transportes e produção agropecuária. Veja os principais conceitos relacionados ao tema
  • Acidificação dos oceanos

    É uma redução do pH dos oceanos (o que leva ao aumento da acidez) durante um longo período de tempo, tipicamente décadas. A principal causa da acidificação dos oceanos é a absorção de CO2 (dióxido de carbono) da atmosfera, a qual vem aumentando devido a atividades humanas. Outras causas incluem adições ou subtrações de componentes químicos dos oceanos. O processo de acidificação pode desregular os ecossistemas marinhos, afetando diretamente corais, algas, mariscos, moluscos, entre outros.

  • Acordo de Paris e Contribuições Nacionalmente Determinadas

    O Acordo de Paris é um tratado global adotado em dezembro de 2015 pelos países signatários da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), durante a COP-21 (21ª Conferência das Partes). O acordo estabelece medidas de redução de emissões de dióxido de carbono (CO2) a partir de 2020 e tem por objetivos fortalecer a resposta global à ameaça da mudança do clima e reforçar a capacidade dos países em lidar com seus impactos. Os governos se comprometeram em agir para manter o aumento da temperatura média global “bem abaixo” dos 2°C em relação aos níveis pré-industriais e em fazer esforços para limitar o aumento a 1,5°C.

    Antes da COP-21, os países enviaram planos de redução de suas emissões de gases de efeito estufa, conhecidos como iNDCs (Pretendidas Contribuições Nacionalmente Determinadas, na sigla em inglês). À medida que os países aderiram ao Acordo de Paris, as iNDCs tornam-se NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), que propõem planos de adaptação aos impactos das mudanças climáticas e indicam a necessidade de apoio para adoção de caminhos de baixa emissão de gases de efeito estufa e de aumento da resiliência climática.

  • Adaptação

    É o processo de ajuste ao clima atual (ou esperado) e aos seus efeitos. Em sistemas humanos, a adaptação procura moderar, evitar danos ou explorar oportunidades benéficas das alterações climáticas. Intervenções como o gerenciamento de zonas costeiras, gerenciamento de riscos na agricultura, pesquisas com grãos mais resistentes ao aumento da temperatura e a criação de sistemas de vigilância para o avanço de doenças causadas por vetores que são beneficiados pelo aumento médio da temperatura, podem facilitar o ajuste e prevenir danos relacionados à mudança do clima.

  • Aquecimento global

    É o aumento na temperatura média da superfície global durante um período tipicamente de 30 anos (ou um período de 30 anos em torno de determinado ano ou década), expresso em relação aos níveis pré-industriais. Antes da revolução industrial, em 1850, a concentração de CO2 na atmosfera do planeta era estável em níveis inferiores a 300 ppm (partes por milhão). Hoje chegamos a 411 ppm, um aumento de mais de 30%, o que representa um acréscimo na temperatura média global de 1,0°C.

  • Descarbonização

    É o processo pelo qual países, indivíduos e outras entidades pretendem reduzir a utilização de fontes fósseis de carbono. Normalmente, refere-se a uma redução das emissões de carbono associadas à geração de eletricidade, a processos industriais e aos transportes.

  • Desmatamento

    É a conversão de áreas florestais caracterizada pela remoção total ou parcial de coberturas vegetais. O desmatamento é responsável pela perda da capacidade de estocagem de carbono por reservatórios terrestres e por emissões de GEE (gases do efeito estufa), como o CO2.

  • Emissões antropogênicas e emissões de CO2 equivalente

    Emissões antropogênicas são emissões de GEE e aerossóis resultantes de atividades humanas, como as emissões oriundas do uso de combustíveis fósseis, de processos industriais, de mudanças no uso do solo e da produção agropecuária.

    Emissão de CO2 equivalente (CO2-eq) é uma métrica que leva em consideração o potencial de aquecimento global de todos os gases de efeito estufa. Existem várias maneiras de calcular as emissões de CO2-eq. Elas usualmente são obtidas pela multiplicação da emissão de um GEE não-CO2 pelo seu potencial de aquecimento global. Assim, uma certa quantidade ou mistura de GEE é representada em termos de emissões de CO2, as quais causam o mesmo impacto — variação na temperatura média global em determinado horizonte de tempo.

  • Emissões negativas

    São as remoções de gases do efeito estufa da atmosfera por meio de atividades humanas deliberadas, ou seja, que vão além da remoção que já ocorreria por meio de processos naturais do ciclo de carbono. São chamadas tecnologias de emissões negativas as ações ou atividades que promovem a redução de GEE da atmosfera. Dependendo das proporções adotadas, essa remoção pode gerar emissões líquidas negativas, que são alcançadas quando mais GEE são removidos do que emitidos na atmosfera em determinado horizonte de tempo. As emissões líquidas zero (entendidas como neutralidade de carbono) são alcançadas quando as emissões de GEE na atmosfera são equilibradas por remoções antropogênicas em determinado período.

    Uma forma de se obter emissões negativas é pela remoção de dióxido de carbono (CDR, Carbon Dioxide Removal), processo no qual o CO2 proveniente da indústria e da geração de energia é sequestrado (capturado), condicionado, comprimido e transportado a um local de armazenamento para isolamento da atmosfera a longo prazo. O estoque de carbono pode ser armazenado em qualquer reservatório capaz de absorver mais carbono do que liberá-lo, podendo reduzir a concentração de CO2 da atmosfera. Esses reservatórios podem ser geológicos, terrestres (florestas), oceânicos ou artificiais (produtos).

  • Forçamento radiativo

    É qualquer mudança na radiação (calor) que entra ou sai de um sistema climático, isto é, trata-se de uma mudança líquida do fluxo radiativo na tropopausa — camada atmosférica intermediária entre a troposfera e a estratosfera. A mudança acontece em função de alterações em fatores como a concentração de CO2 na atmosfera, o que gera o aquecimento global. O forçamento radiativo é normalmente medido em W/m2 (potência, medida em Watts, por área, em metro quadrado) e é utilizado para avaliar como é influenciado o equilíbrio entre o sistema planeta-atmosfera. Quanto maior o forçamento radiativo, que é a perturbação no equilíbrio entre a radiação solar absorvida pela Terra e a radiação infravermelha emitida pela Terra, maior o aquecimento global.

  • GEE

    São constituintes gasosos, naturais ou antrópicos, que, na atmosfera, absorvem radiação infravermelha. Os mais importantes são o CO2, o CH4 (metano), o N2O (óxido nitroso), o SF6 (hexafluoreto de enxofre), os HFCs (hidrofluorcarbonos) e os PFCs (perfluorcarbonos).

    O CO2 é o principal gás de efeito estufa e referência para determinação do potencial de aquecimento global de outros GEE. Está presente de forma natural na atmosfera, mas também é um subproduto da queima de combustíveis fósseis (como petróleo, gás e carvão), da queima de biomassa, das mudanças no uso da terra e de processos industriais (por exemplo, produção de cimento).

  • Meta climática

    É uma meta que pode envolver limites de temperatura, níveis de concentração de gases do efeito estufa na atmosfera ou redução de emissões, com o objetivo de evitar interferências humanas prejudiciais ao sistema climático. As mais recentes metas climáticas brasileiras estão definidas na NDC. Uma delas é reduzir, até 2025, as emissões de GEE em até 37% (comparados aos níveis emitidos em 2005). Há também a indicação de, até 2030, reduzir as emissões de GEE em 43% (consistente com níveis de emissão de 1,3 GtCO2-eq em 2025 e 1,2 GtCO2-eq em 2030).

  • Mitigação

    É a intervenção humana com o propósito de reduzir emissões. Ela pode acontecer por meio de mudanças ou substituições tecnológicas que reduzam o uso de energias fósseis e emissões por unidade de produção (como o uso de equipamentos mais eficientes na indústria e nas residências, ou de veículos mais eficientes e movidos a etanol) e pela implementação de medidas que reduzam as emissões de GEE e aumentem os reservatórios de carbono (como o reflorestamento).

  • Mudança do clima

    É a mudança no estado do clima que pode ser identificada por alterações na média ou na variabilidade de suas propriedades (como a temperatura) e que persiste por um extenso período, tipicamente de décadas ou mais. Processos naturais internos, como erupções vulcânicas, ou forças externas, como modulações nos ciclos solares, podem provocar variabilidade no clima, mas são as ações antropogênicas que causam a mudança climática. De acordo com a Convenção-Quadro das Nações Unidas: “mudança no clima é atribuída direta ou indiretamente a atividades humanas que alteram a composição da atmosfera do globo e se somam à variabilidade natural observada ao longo de períodos de tempo comparáveis”.

  • Mudança do uso da terra ou do solo

    É qualquer mudança de uma categoria de uso da terra para outra. Inclui, principalmente, as conversões de áreas florestais para áreas agrícolas, ou vice-versa. A mudança pode ocorrer em consequência de pressões externas, como a necessidade de aumento de áreas agricultáveis ou de reflorestamento.

  • Orçamento de carbono remanescente

    O orçamento total de carbono refere-se a uma avaliação das fontes do ciclo do carbono em nível global, por meio da síntese de evidências para emissões de combustíveis fósseis, de processos industriais, mudança de uso da terra, além dos reservatórios oceânicos e terrestres de CO2 e a taxa de crescimento resultante do dióxido de carbono atmosférico. O orçamento de carbono remanescente é obtido a partir da diferença entre o orçamento total de carbono até determinada época e as emissões acumuladas de CO2 desde o período pré-industrial até a atualidade. A quantidade de orçamento de carbono remanescente é estimada para limitar o aumento da temperatura média da superfície global a determinado nível, levando em conta as contribuições de outros gases do efeito estufa.

  • Overshoot de temperatura

    É a superação temporária de um nível específico de temperatura de aquecimento global. Por exemplo, as trajetórias de emissões que limitam o aquecimento a menos de 1,6°C e retornam a 1,5°C até 2100 são classificadas como trajetórias de “overshoot limitado a 1,5°C”, enquanto aquelas que ultrapassam 1,6°C, mas retornam a 1,5°C até 2100 são classificadas como sendo de “overshoot mais elevado”.

  • Preço de carbono

    É o preço de emissões liberadas ou evitadas de CO2 ou CO2-eq. O preço pode ser indicado por meio de um tributo de carbono ou de uma licença ou certificado de emissão. O preço de carbono pode ser utilizado em modelos que busquem avaliar quanto seria o custo econômico de esforços de políticas de mitigação.

  • Resiliência

    É a capacidade de interconexão social, econômica e ecológica de um sistema para lidar com eventos inesperados, tendências ou perturbações e reorganizar-se com o propósito de manter sua função essencial, identidade e estrutura. A resiliência é um atributo positivo quando preserva a capacidade de adaptação, aprendizado ou transformação.

  • Trajetórias de emissões e temperaturas de aquecimento globais

    São resultados de modelos que simulam trajetórias das emissões globais antrópicas ao longo do tempo. As trajetórias de emissões são classificadas pela sua correspondente trajetória de temperatura, podendo ou não haver overshooting. Os RCPs (Representative Concentration Pathways) são cenários de diversos níveis de concentração de emissões, que correspondem a trajetórias de variação de diferentes forçamentos radiativos até 2100. Já os SSPs (Shared Socioeconomic Pathways) representam cinco narrativas plausíveis em termos de demografia, economia, tecnologia, além de aspectos sociais, governamentais e ambientais até 2100. Nesse conjunto, os cenários mais conhecidos são as trajetórias de 1,5°C e 2°C, que representam os orçamentos de carbono remanescentes a um aumento de temperatura de 1,5°C e 2°C acima dos níveis pré-industriais, com ou sem a possibilidade de “overshoot”, até o fim do século.

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