Didática e planejamento na educação

Gerd AltmannLousa mostra equações matemáticas e desenhos geométricos feitos em giz branco.Equações matemáticas em lousa
Nas discussões educacionais sobre as chamadas novas Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação, professores e professoras têm sido bombardeados com termos como metodologias ativas, novas estratégias didáticas, técnicas inovadoras para o ensino. Esses termos têm origens diversas no campo da didática e funções distintas no planejamento do ensino
  • Estratégia

    Tem origem nas palavras gregas stratos, para exército, e agein, que significa comandar. A etimologia do termo remete à ação de comandar exércitos e, nesse contexto, uma estratégia seria constituída por ações flexíveis e soluções alternativas viáveis para atingir fins almejados ao mesmo tempo em que permitem correções exigidas no transcorrer dos fatos.

    Em relação ao campo da didática, o termo estratégia é comumente utilizado para se referir às ações didáticas desenvolvidas pelo professor a fim de atingir finalidades e objetivos educacionais. Embora diversos estudiosos concordem que os termos técnica e estratégia podem ser considerados como sinônimos, alguns autores preferem o último ao primeiro por compararem o trabalho do professor ao de um estrategista, isto é, um trabalho que deve levar em conta os condicionantes da realidade de cada escola e atuar de forma flexível e dinâmica. A despeito dessa discussão, partindo do pressuposto de sua sinonímia, podem ser consideradas estratégias didáticas a mesma lista de atividades apresentadas no verbete técnica.

  • Material didático ou curricular

    Um termo bastante popular na área é material didático, sendo comum também encontrar a variação material curricular. Assim como discutido para outros termos neste glossário, algumas obras da didática não fazem distinção entre recurso e material didático. No entanto, há alguns autores que optam por diferenciá-los, explicitando algumas de suas peculiaridades distintivas.

    Para essa última corrente, recursos e materiais didáticos se referem a meios físicos que são veículos (mídias) de algum conteúdo e suportam a execução das técnicas ou estratégias de ensino. Todavia, enquanto os recursos não são necessariamente produzidos pelos professores – tais como lousas, computadores, projetores –, os materiais didáticos são preparados por professor ou alunos para a realização de atividades específicas e localizadas da sala de aula, tais como: um mapa conceitual, um roteiro experimental, listas de exercícios, apresentações de slides, etc. Nesse âmbito, tanto os recursos quanto os materiais didáticos se relacionam diretamente com as técnicas ou estratégias de ensino, mas não são necessariamente a mesma coisa.

    O esquema abaixo ilustra um proposta para as características e relações entre os elementos do planejamento e a prática pedagógica do professor.

    Esquema que mostra práticas pedagógicas e de planejamento das mais às menos abrangentes. Entre as mais abrangentes, por exemplo, estão a metodologia de ensino, os princípios e as concepções pedagógicas. Entre as menos abrangentes estão as avaliações e os recursos específicos usados em sala de aula.
  • Método

    A origem etimológica da palavra vem do grego methodos, de meta (objetivo, finalidade), e hodos, para caminho a seguir para alcançar um fim. No sentido largo, método é entendido como todo caminho regulado pelo qual se atinge um objetivo. O termo se associa com a ideia de um modo judicioso de proceder (ou seja, rigoroso, pautado em princípios) quando se tem uma finalidade.

    No contexto da didática, alguns autores tendem a considerar os termos método de ensino e metodologia como sinônimos e, por isso, como conceitos intercambiáveis. Todavia, há uma corrente dentro do campo que faz questão de apontar para suas diferenças. Para essa corrente, um método de ensino se caracteriza por um conjunto de atividades articuladas que compõem um caminho que leva, de forma mais segura, à consecução de um propósito de ensino. Dessa feita, o método é inerentemente pautado por pressupostos e princípios que guiam as ações do professor em sala de aula. Nessa acepção, método não se confunde com metodologia, uma vez que não se prestaria à tarefa de estudo teórico sistemático de métodos para se ensinar. Um método, porém, tem caráter concreto e envolve a aplicação ajustada de pressupostos e princípios no caminho proposto e percorrido pelo professor, composto pela articulação e pelo sequenciamento de dadas estratégias e recursos em uma dada situação concreta de ensino. Enquanto a metodologia se situa em um plano teórico e social, o método de ensino está em um plano prático e personalizado do planejamento.

  • Metodologia

    O termo metodologia advém das palavras gregas methodos e logia. A palavra methodos, por sua vez, é composta pelo prefixo meta – que significa objetivo, finalidade – e pelo sufixo hodos, que significa caminho, intermediação. Finalmente, logia se refere a conhecimento, estudo. Em sentido amplo, o termo é utilizado para se referir a um campo do conhecimento voltado de forma sistemática ao estudo dos métodos; campo da epistemologia e teoria do conhecimento.

    No âmbito educacional, entretanto, o termo metodologia tem assumido historicamente acepções diversificadas e, muitas vezes, imprecisas. Em que pese essa polissemia, há uma corrente da didática que associa metodologia à ideia da articulação entre uma teoria de compreensão e interpretação da realidade e uma prática educativa específica. Nesse sentido, metodologia é definida como toda teoria sobre o processo de ensino e aprendizagem e está relacionada com as concepções psicopedagógicas sobre a aprendizagem, a natureza do conhecimento, a função da educação escolar e os papéis assumidos por professor e estudantes. Trata-se, portanto, do elemento mais abrangente e responsável por moldar e orientar todos os demais elementos do planejamento. Alguns exemplos de metodologias de ensino são: ensino por transmissão-recepção, ensino baseado em problemas, ensino por descoberta, ensino por investigação, entre outros.

  • Recurso

    A origem etimológica do termo vem do latim recursus, que significa fazer um caminho de novo. Seu uso é comumente associado à área do direito, em que o recurso é um meio de requerer a modificação de uma sentença judicial desfavorável. Em sentido mais geral, recurso é entendido como meio, suporte para realização de alguma atividade.

    No campo da didática, por sua vez, o termo recurso didático se refere a um meio (mídia) que é suporte e veículo de algum conteúdo (mensagem). Segundo essa definição, do ponto de vista do planejamento de ensino, os recursos didáticos dão suporte e auxiliam no desenvolvimento ou execução das técnicas ou estratégias de ensino. Podem ser considerados recursos didáticos (analógicos ou digitais): lousa, giz, datashow, retroprojetor, tabela periódica, revistas, jornais, computador, aplicativos, vídeo, filme, reagentes e vidrarias de laboratório, entre outros.

  • Técnica

    O termo técnica tem origem etimológica nas palavras gregas τέχνη e téchne, que se referem em sentido amplo a regras por meio das quais se alcança algo. Uma das acepções comuns para técnica se refere ao conjunto de ações particulares para atingir um objetivo específico. Por isso, técnica é associada à ideia de jeito ou habilidade especial de executar ou fazer algo.

    No contexto educacional, as técnicas de ensino dizem respeito ao conjunto de ações planejadas pelo professor com base em diretrizes e normas específicas que mais bem conduz à consecução de determinado objetivo de aprendizagem. No âmbito do planejamento, uma técnica de ensino se apoia em um ou mais recursos para ser desenvolvida ou executada. Podem ser tomados como exemplares de técnicas de ensino: a aula expositiva, atividades em grandes ou pequenos grupos colaborativos, o uso da experimentação ou atividades de campo, uso de jogos didáticos, utilização de analogias e metáforas, estudos de casos, debates, júris simulados etc.

Bibliografia

Alves, M., & Bego, A. M. (2020). A Celeuma em Torno da Temática do Planejamento Didático-Pedagógico: Definição e Caracterização de seus Elementos Constituintes. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, 20(u), 71-96.

Amaral, I. A. (2006). Metodologia do Ensino de Ciências como produção social. Disponível aqui.

Fischer, R. M. B. (1978). A Questão das Técnicas Didáticas: Uma proposta comprometida em lugar da decantada “neutralidade” das técnicas didático-pedagógicas. Ijuí: mimeo.

Vieira, R. M., & Vieira, C. (2005). Estratégias de ensino/aprendizagem. Lisboa: Instituto Piaget.

Veiga, I. P. A., Damis, O. T., Lopes, A. O., Lima, M. E., Castanho, M., Martins, P. L. O., & Cunha, M. I. (1992). Repensando a didática. Campinas: Papirus.

Leia mais

Parceiros

AfroBiotaBPBESCEM - Cepid/FAPESPCENERGIA/COPPE/UFRJCPTEDRCLAS - HarvardIEPS

Apoiadores

Fundação Maria Cecilia Souto VidigalFundação Tide SetubalGalo da manhãInstituto IbirapitangaInstituto UnibancoItaú Social