Comunicação e saúde

FOTO: Asterfolio/UnsplashFoto aproximada de mãos de pessoa que mexe no celular enquanto segura máscara de proteção pelos elásticos
Como o excesso de informações pode prejudicar o trabalho das autoridades sanitárias? Quais as estratégias mais eficazes para alertar a população sobre os perigos de uma doença? Entenda neste glossário como diferentes perspectivas sobre comunicação e saúde respondem a essas e outras questões
  • Infodemia

    O termo se refere a um uma epidemia de informação causada pelo excesso de notícias sobre determinados temas. Muitas vezes, as informações que consumimos estão incorretas, incompletas ou são produzidas por fontes pouco confiáveis. Ainda assim, esses dados duvidosos seguem se propagando velozmente, como no caso da pandemia do novo coronavírus.

    Uma pesquisa publicada no The American Journal of Tropical Medicine and Hygiene avaliou 2.276 publicações na internet relacionadas à covid-19 de dezenas de países e concluiu que apenas 9% dessas publicações eram verdadeiras. Muitos sites confiáveis divulgaram a verdade sobre as notícias falsas que circulavam na internet, mas, mesmo assim, essas informações ainda são muito difundidas em velocidades e quantidades assustadoras. Um exemplo disso é que aumentaram a quantidade de notícias falsas em grupos de redes sociais em 383% em 2020. Especificamente no Brasil, uma pesquisa do Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) de setembro de 2020 apontou que 67% dos entrevistados expostos a dez afirmações incorretas sobre vacinas acreditaram em pelo menos uma delas. Portanto, a luta tem sido contra dois vírus, o Sars-Cov-2 e a desinformação.

    Como estratégia para mitigar esse problema, a OMS (Organização Mundial da Saúde) desenhou quatro pilares para a gestão das infodemias: o monitoramento de informações (vigilância); o fortalecimento da capacidade de alfabetização em saúde digital e ciência; o incentivo a processos de aprimoramento da qualidade das informações, como verificação de fatos e revisão por pares; e a tradução precisa e oportuna do conhecimento, minimizando fatores de distorção, como influências políticas ou comerciais.

  • Comunicação em saúde

    A comunicação em saúde se refere ao estudo e a utilização de estratégias de comunicação para informar e influenciar as decisões dos indivíduos e das comunidades no sentido de promoverem a sua saúde. Esta definição é suficientemente ampla para englobar todas as áreas nas quais a comunicação é relevante nessa área. Não se trata somente de promover a saúde, embora esta seja a área estrategicamente mais importante. O processo de informação e comunicação tem valor crítico e estratégico nos serviços de saúde, pois além de informar de forma clara e concisa a população, é o principal meio utilizado para divulgar a importância da adoção de comportamentos de prevenção e tratamento de doenças, como a covid-19.

    O termo diz respeito, também, ao conjunto dos meios de comunicação de massa voltados à divulgação de produtos, serviços, ações preventivas e identificação de riscos relacionados à saúde ou morbidades de interesse individual ou coletivo. Inclui subtemas como: mídia (jornal, rádio, televisão, conteúdos e imagens digitais, etc), redes de informação especializadas, comunicação social, revistas, campanhas sanitárias, divulgação de descobertas científicas e tecnológicas, entre outros.

  • Comunicação de risco

    Uma das intervenções mais importantes e eficazes numa resposta de saúde pública que objetive salvar vidas e minimizar as consequências adversas a qualquer evento é comunicar proativamente o que é conhecido, o que é desconhecido e o que está sendo feito para obter mais informação. Portanto, a comunicação de risco, segundo a OMS, é a troca de informação, aconselhamento e opiniões em tempo real entre peritos, líderes comunitários, funcionários e as pessoas que estão em risco, sendo parte integrante de qualquer resposta de emergência. Nas epidemias e pandemias, crises humanitárias e catástrofes naturais, uma comunicação eficaz permite às pessoas em risco compreenderem e adotarem comportamentos de proteção. Permite também que autoridades e peritos auscultem e dêem resposta às preocupações e necessidades da população, para que o aconselhamento que prestam seja relevante, confiável e aceitável.

    O objetivo geral está na apropriação de conhecimentos para a tomada de decisão e promoção do autocuidado, do engajamento comunitário e da participação social, com qualidade e transparência. A comunicação de risco ajuda a prevenir infodemias, cria confiança na resposta e aumenta a probabilidade de que as orientações de saúde sejam seguidas. Também minimiza e maneja rumores e mal-entendidos que minam as respostas e podem levar a uma maior disseminação da doença. Pode, além de proteger a saúde, proteger o emprego, o turismo e a economia.

  • Educação em saúde

    Segundo o Ministério da Saúde, educação em saúde é o processo educativo de construção de conhecimentos em saúde que visa à apropriação temática pela população. Por meio da prática eficiente da comunicação e da prevenção às infodemias, é possível construir um conjunto de práticas que contribuem para aumentar a autonomia das pessoas no seu cuidado e no debate com os profissionais e os gestores a fim de alcançar uma atenção de saúde de acordo com suas necessidades.

    As práticas de educação em saúde envolvem três segmentos de atores prioritários: os profissionais de saúde que valorizem a prevenção e a promoção tanto quanto as práticas curativas; os gestores que apoiem esses profissionais; e a população que necessita construir seus conhecimentos e aumentar sua autonomia nos cuidados, individual e coletivamente.

    A educação em saúde como processo político pedagógico requer o desenvolvimento de um pensar crítico e reflexivo, permitindo desvelar a realidade e propor ações transformadoras que levem o indivíduo à sua autonomia e emancipação como sujeito histórico e social, capaz de propor e opinar nas decisões de saúde para cuidar de si, de sua família e de sua coletividade.

  • Comunicação científica

    A comunicação científica fundamenta-se na informação responsável pelo conhecimento científico que representa acréscimo ao status quo das áreas de conhecimento. A pesquisa científica está no alicerce da comunicação científica. Esta extrapola o ciclo restrito de fluxo informacional intramuros (comunidade científica) e, graças à divulgação científica, alcança a população, transformando-a em alfabetizada cientificamente. Ademais, esse processo é essencial para garantir fidedignidade e consistência das descobertas.

    Por constituir-se como um processo dinâmico e complexo, o processo de comunicação científica é realizado tanto por meio de canais formais quanto informais de comunicação. No entanto, segundo esses autores, os canais formais - sobretudo aqueles que proporcionam um menor tempo na divulgação dos resultados de pesquisa, mesmo que esses sejam de natureza preliminar, como os periódicos científicos -, desempenham um papel de destaque entre pesquisadores quando do processo de aprimoramento e melhoria das pesquisas. A pandemia da covid-19 serviu para tornar o interesse pelo conhecimento científico em saúde maior. Resta saber se isso será duradouro e se seguirá se aprimorando para atingir mais a população.

  • Gestão da informação em saúde

    A gestão da informação em saúde possui função estratégica para a organização dos serviços de saúde com foco em qualidade e por meio do desenvolvimento de uma cultura organizacional voltada à avaliação, monitoramento e melhoria contínua que é ofertado à população. Os sistemas de gestão da informação em saúde são ferramentas poderosas dos técnicos e gestores. Eles também possibilitam que os profissionais de saúde desempenhem as atividades com efetividade e eficiência, integrando a informação, facilitando a comunicação, coordenando as ações entre os múltiplos membros das equipes e fornecendo meios para apoio financeiro e administrativo. A eficiência está relacionada à otimização do uso de recursos para a realização dos diversos processos desempenhados pelos profissionais, tanto no cuidado direto, como na administração.

    De modo geral, a gestão da informação da saúde, é, portanto, um instrumento de apoio ao processo decisório, possibilitando o conhecimento da realidade social, sanitária, epidemiológica, gerencial, demográfica, burocrática e orçamentária, que subsidia as ações de governo e o desenvolvimento das políticas públicas em saúde e contribui para a qualificação das ações da gestão e do controle social.

Veja também

Parceiros

AfroBiotaBPBESBrazil LAB Princeton UniversityCátedra Josuê de CastroCENERGIA/COPPE/UFRJCEM - Cepid/FAPESPCPTEClimate Policy InitiativeGEMAADRCLAS - HarvardIEPSJ-PalLAUTMacroAmb