Biodiversidade

perereca cinza e laranja anda sobre galho
O que é diversidade biológica? E um ecossistema? Quais são os países megadiversos? Entenda conceitos centrais sobre o tema
  • A origem do termo biodiversidade

    Em 1980, o pesquisador norte-americano Thomas Lovejoy criou a expressão “biological diversity”. Em 1985, Walter G. Rosen fundiu as duas palavras ao denominar “The National Forum of BioDiversity” uma reunião organizada pelo National Research Council & National Academy of Science e Smithsonian Institution. Mas o termo só se tornou popular depois de Edward O. Wilson ter publicado o livro Biodiversity em 1988.

  • Biodiversidade e o seu significado

    Pela definição da Convenção sobre a Diversidade Biológica de 1992, “diversidade biológica significa a variabilidade entre os organismos vivos de todas as fontes, incluindo, entre outras, terrestres, marinhas e outras fontes aquáticas, variabilidade de ecossistemas e dos complexos ecológicos dos quais fazem parte: isto inclui a diversidade dentro das espécies, entre espécies e dos ecossistemas”. Portanto, a biodiversidade (contração de diversidade biológica) é medida pela variação a nível genético de espécies e de ecossistemas. A biodiversidade é produto da evolução biológica, cuja variedade de formas é resultado do acúmulo de variações hereditárias, não sendo distribuída uniformemente na Terra. A biodiversidade não é estática. É um sistema em constante evolução tanto do ponto de vista das espécies como de um só organismo. A meia-vida média de uma espécie é de um milhão de anos, e 99% das espécies que já viveram na Terra estão hoje extintas.

  • Diversidade de espécies

    É o número de espécies diferentes que ocorrem em determinada comunidade. O significado de diversidade de espécies pode incluir riqueza de espécies, diversidade taxonômica ou filogenética, e/ou uniformidade de espécies. A riqueza de espécies é uma simples contagem de espécies. A diversidade taxonômica ou filogenética é a relação genética entre diferentes grupos de espécies. A uniformidade das espécies quantifica quão iguais são as abundâncias das espécies.

  • Diversidade genética interespecífica

    É a diversidade genética entre espécies que ocorrem em determinada área, região ou outro limite qualquer. Frequentemente é confundida com conceito ecológico de “riqueza”, mas este trata apenas do número de diferentes espécies presentes em uma área.

  • Diversidade genética intraespecífica

    A diversidade genética se refere a toda variação biológica hereditária acumulada durante o processo evolutivo. É gerada, fundamentalmente, por mutação na sequência nucleotídica durante a replicação do DNA. Quando essa variação ocorre entre indivíduos da mesma espécie, chamamos de polimorfismos ou diversidade intraespecífica. As variações genéticas intraespecíficas são investigadas quando buscamos compreender as relações entre indivíduos e populações de cada espécie. Portanto, quando nosso interesse é saber qual o parentesco entre indivíduos, se existe ou não fluxo gênico entre populações ou qual o status de conservação de uma espécie em particular, estudamos a variação genética intraespecífica.

  • Ecossistemas

    O termo ecossistema é originado da união das palavras oikos e sistema, ou seja, tem como significado sistema da casa. A definição mais simples de um ecossistema é que se trata de uma comunidade ou grupo de organismos vivos que vivem e interagem uns com os outros em um ambiente específico. Por exemplo, as florestas tropicais são ecossistemas compostos por seres vivos como árvores, plantas, animais, insetos e microrganismos que estão em constante interação entre si e que são afetados por outros componentes físicos (sol, temperatura, chuva, solo) ou químicos (nutrientes, disponibilidade de oxigênio). Existem ecossistemas terrestres, aquáticos e marinhos.

  • Hotspots de biodiversidade

    Para qualificar-se como hotspot de biodiversidade, uma região deve atender a dois critérios rigorosos: a) deve ter pelo menos 1.500 plantas vasculares como endêmicas — ou seja, deve ter uma alta porcentagem de vida vegetal encontrada em nenhum outro lugar do planeta, sendo insubstituível; b) deve ter 30% ou menos de sua vegetação natural original, ou seja, ser uma região ameaçada. Os hotspots estão entre os ecossistemas mais ricos e importantes do mundo, e são o lar de populações humanas consideradas vulneráveis, muitas vezes fortemente dependentes dos serviços ecossistêmicos gerados pela sua rica biodiversidade. Atualmente 36 regiões do mundo são consideradas hotspots de biodiversidade.

  • Megadiversidade

    A biodiversidade não é distribuída igualmente na Terra, havendo um número maior de espécies nas regiões tropicais. Há várias teorias para explicar esse fenômeno, mas, certamente, a disponibilidade de energia é um fator extremamente relevante, assim como a história evolutiva das regiões. Hoje, 17 dos mais de 200 países detêm mais de 70% da biodiversidade da Terra, e são denominados países megadiversos: África do Sul, Austrália, Brasil, China, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Filipinas, Índia, Indonésia, Madagascar, Malásia, México, Papua Nova Guiné, Peru, República Democrática do Congo e Venezuela.

  • Números atuais da biodiversidade

    Com base no IPBES Global Assessment Report on Biodiversity and Ecosystem Services, 75% da superfície terrestre foi significativamente alterada pelas ações humanas, incluindo 85% da área úmida. Sessenta e seis por cento da área oceânica está sofrendo múltiplos impactos de pessoas, inclusive da pesca, da poluição e da acidificação, e mais de 60% dos recifes de coral do mundo estão ameaçados, devido à pesca excessiva e à pesca destrutiva.

    Aproximadamente 25% das espécies já estão ameaçadas de extinção. Das 7.155 raças de animais domesticados, 1.940 estão ameaçadas de extinção.

    Há 1,4 bilhão de registros de ocorrência de espécies que podem ser acessados gratuitamente por meio do GBIF (Global Biodiversity Information Facility). Entre 28 e 48 espécies de aves e mamíferos foram salvos da extinção devido a ações de conservação desde 1992. Atualmente, cerca de 43% das áreas mais importantes para conservação da biodiversidade estão em áreas protegidas.

  • O que pode ser feito para proteger e preservar a biodiversidade

    Inserir biodiversidade em todas as políticas e programas governamentais, em todos os níveis.

    Apoiar a implementação das decisões da Convenção sobre a Diversidade Biológica.

    Adotar um modelo de desenvolvimento que reconhece a dependência humana da natureza.

    Promover e melhorar o monitoramento e a aplicação da legislação existente.

    Reforçar os links entre a proteção e uso sustentável da biodiversidade e os ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável).

    Utilizar abordagens holísticas, inclusivas e de longo prazo.

    Promover a governança e a gestão sustentável das paisagens marinhas, oceanos e sistemas marinhos.

    Reconhecer o conhecimento, inovações e práticas de comunidades indígenas e tradicionais, garantindo sua inclusão e participação em governança ambiental.

    Desacoplar o conceito de qualidade de vida do consumo de material e crescimento econômico perpétuo, e substituir o PIB por indicadores que incluam a conservação e uso sustentável da biodiversidade.

    Abordar as causas que impulsionam o surgimento de zoonoses incluindo a destruição do habitat e o comércio ilegal de animais silvestres —, visando a diminuir o risco de novas pandemias.

    Criar empregos verdes, forjar economias circulares, reduzir a poluição, restaurar ecossistemas degradados e investir no meio ambiente com tecnologia amigável.

    Afastar-se de um modelo linear pegar, fazer, usar e descartar para uma abordagem mais circular, que veja produtos e materiais continuamente reutilizados.

    Produzir e consumir alimentos de forma sustentável, e reduzir o desperdício de alimentos.

Bibliografia

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BRASIL. Decreto nº 2.519, de 16 de março de 1998. Promulga a Convenção sobre Diversidade Biológica, assinada no Rio de Janeiro, em 05 de junho de 1992. Presidência da República Federativa do Brasil. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D2519.htm .

CONSERVAÇÃO INTERNACIONAL DO BRASIL. 2005. Hotspots revisitados. Disponível aqui.

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MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE 2007. Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira: Atualização - Portaria MMA n°9, de 23 de janeiro de 2007. Disponível aqui.

WILSON, E. O. 1997. Biodiversidade. Nova Fronteira, Rio de Janeiro.

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