Atenção básica em saúde

sobre fundo laranja, verbetes do glossário. os termos aparecem em fonte preta grifados em cinza claro. Suas definições em fonte preta sobre fundo, sem grifo.
A atenção básica em saúde, também chamada de atenção primária, é a porta de entrada da população para os serviços do SUS (Sistema Único de Saúde). Conheça conceitos ligados a esse tipo de atendimento
  • Vínculo

    O conceito de vínculo, no âmbito da atenção básica, remete a uma relação interpessoal estreita e duradoura entre os profissionais de saúde e os usuários do sistema, que propicia a construção de espaços de escuta, troca e respeito entre essas partes.

    Esse conceito foi ganhando força na medida em que se buscou ampliar o acesso à saúde e melhorar a qualidade de seus serviços. Por meio do vínculo, facilita-se a continuidade do cuidado e aumenta-se a adesão da população aos tratamentos de mais longo prazo, o que, em última análise, pode evitar eventos de saúde agudos que requeiram hospitalização.

    Há certo consenso de que o estabelecimento de vínculo é um requisito para prestar serviços de saúde de qualidade, em especial na atenção básica.

  • Acolhimento

    O conceito de acolhimento é uma das diretrizes da Política Nacional de Humanização lançada em 2003 no SUS (Sistema Único de Saúde). Acolher significa reconhecer que o outro traz necessidades em saúde legítimas e singulares. Em termos práticos, o acolhimento é operacionalizado por meio de uma escuta inicial qualificada, feita pela equipe da atenção básica, que possibilita que o usuário tenha acesso aos serviços e às tecnologias de cuidados adequadas a cada contato.

    O acolhimento também é uma ferramenta para garantir que sejam respeitadas prioridades no acesso ao serviço, levando em conta não só a queixa de saúde, mas o grau de vulnerabilidade dos indivíduos ou famílias que buscam o atendimento. O acolhimento rompe com a tradição das grandes emergências hospitalares, onde predomina a lógica do “pegue a senha e aguarde”, baseada em critérios estritamente clínicos.

  • Demanda espontânea

    A demanda espontânea é definida como aquela que resulta do comparecimento de usuários ao serviço de saúde, de modo inesperado, em virtude de problemas agudos de saúde ou em função da percepção, por parte do próprio usuário, de alguma necessidade imediata em saúde. Para alguns autores, ela é definida como a “necessidade de saúde em fato”, em oposição às demandas agendadas ou programadas. O acolhimento às demandas espontâneas é um desafio na maior parte das unidades de saúde, pois é considerado um fator complicador na organização das agendas.

  • Agentes comunitários de saúde

    Também conhecidos por ACS, são profissionais que atualmente integram as equipes de Saúde da Família, muito embora sua participação na saúde pública brasileira possa ser identificada antes mesmo da criação da Estratégia de Saúde da Família, em seu modelo atual.

    Os agentes comunitários de saúde podem ser considerados o elo de ligação entre as unidades básicas de saúde e os territórios, de modo que são mediadores entre o saber técnico e o saber popular. Preferencialmente, os agentes devem ser moradores do território em que atuam. Eles são uma categoria profissional numerosa no SUS, ultrapassando 265 mil em todo o território nacional.

  • Educação popular em saúde

    Inspirada nas reflexões de Paulo Freire, a educação popular em saúde é uma ferramenta aplicada na atenção básica com o objetivo de concretizar sua função de promover saúde e aumentar a qualidade de vida dos usuários do sistema de saúde.

    A educação popular em saúde rompe com o modelo prescritivo (por vezes impositivo) das ações de saúde. Ela consiste, basicamente, na construção conjunta de conhecimento, numa perspectiva emancipatória, pressupondo equivalência ou horizontalidade entre o saber técnico-científico, o saber popular e a experiência vivida sobre o adoecimento e a saúde.

    Por exemplo: existe evidência de que, para algumas populações, o planejamento familiar e escolha de métodos contraceptivos são feitos de forma pouco dialogada, sem respeito à autonomia das mulheres, o que remete às práticas impositivas que as políticas de saúde ainda são capazes de perpetuar. Por outro lado, atividades coletivas e que respeitam a cultura, hábitos e saberes de uma comunidade tendem a criar novos significados sobre o processo saúde-doença, para muito além do saber biológico, o que impacta desde a adesão aos tratamentos até a vinculação de usuários com as equipes de saúde.

Temas

Saúde

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