9 conceitos para entender a pandemia

FOTO: Amanda Perobelli/Reuters - 07.abr.2021profissionais de saúde atendem pacientes em leitos de hospital de campanha. em primeiro plano, outros enfermeiros empurram maca com homem usando máscara
Entenda expressões usadas com frequência pela imprensa na área de vigilância em saúde e imunização durante a crise do novo coronavírus
  • Medidas de contenção

    São uma série de iniciativas usadas por governos para prevenção e controle do avanço da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Podem ser:

    • de distanciamento social e circulação de pessoas, como verificações e restrições de viagens, fechamentos de fronteiras, toques de recolher, fechamento de serviços e escolas, confinamento parcial e total (lockdown);
    • de governança, como declaração de estado de emergência e ativação de estruturas de emergência, bem como medidas para mitigar impactos econômicos da pandemia e garantir proteção social (como o auxílio emergencial);
    • e de saúde pública, como recomendações e campanhas de conscientização, isolamento e quarentena, rastreamento e testagem em massa da população, obrigação de uso de equipamentos de proteção e fortalecimento do sistema público de saúde.
  • Achatamento de curva

    Com frequência, os governos apresentam dados de saúde (como número de casos suspeitos, confirmados e óbitos por covid-19 e outras doenças em determinado período de tempo) por meio de gráficos. Nesses gráficos, quando o número de casos aumenta, observa-se a formação de uma curva acentuada. O ponto mais alto dessa curva é chamado de pico da curva e representa a transmissão fora de controle da doença. Ao dizer que é necessário “achatar a curva”, busca-se reduzir o pico, ou seja, controlar a transmissão da doença com a intenção de reduzir a sobrecarga dos sistemas de saúde.

  • Colapso do sistema de saúde

    O colapso nos sistemas de saúde se dá quando determinada localidade atinge o limite de ocupação de leitos disponíveis nos seus estabelecimentos de saúde, situação que obriga pacientes graves ( acometidos por covid-19 ou por outros agravos) a aguardarem na fila de espera para serem internados. Muitas vezes, a situação culmina na morte desses cidadãos. A taxa de ocupação acima de 90% já configura colapso do sistema, uma vez que, com esse nível de ocupação, não há margem para rotatividade de pacientes nesses leitos.

  • Variantes do coronavírus

    O novo coronavírus vem passando por constantes mutações desde sua descoberta, o que é bastante comum em qualquer vírus. As mutações são responsáveis por desenvolver versões do vírus potencialmente mais transmissíveis, chamadas de “variantes” ou “variantes de preocupação”. Novas variantes de um vírus podem reduzir a eficácia das vacinas que existem contra ele. Pelo fato de a covid-19 e as mutações do novo coronavírus serem fenômenos recentes, ainda há poucos estudos que detalhem as consequências do impacto de suas variantes até o momento.

  • Imunidade de rebanho

    O conceito se refere à redução da propagação de um vírus devido ao grau de imunização existente em determinado grupo populacional. Segundo a teoria, um considerável grau de imunização serve como uma barreira para o vírus, reduzindo a chance de ele encontrar novos indivíduos suscetíveis à infecção e, por consequência, protegendo até mesmo indivíduos não imunes.

    Mede-se a proporção de pessoas que precisam ser imunizadas para que se alcance a imunidade de rebanho verificando a média do número de infecções secundárias que podem ser causadas por um único indivíduo. No caso da covid-19, segundo especialistas, exige-se alto grau de imunização. Cabe ressaltar que o caminho ético para alcançar a imunidade de rebanho é a vacinação, uma vez que o contato direto com a doença ocasiona um catastrófico número de mortes e sobrecarga nos sistemas de saúde.

  • IFA (ingrediente farmacêutico ativo)

    É o insumo mais importante para a produção de vacinas, por conter elementos que garantem que nosso organismo prepare sua defesa imunológica. Para o caso das vacinas contra a covid-19, o IFA é uma fração ou cópia do novo coronavírus. Essa cópia não é nociva, mas é suficiente para desencadear uma reação imunológica. Em suma, ao ser vacinado, nosso corpo é apresentado à estrutura do vírus e aprende a produzir defesas específicas contra seus ataques.

    Para a Coronavac, vacina produzida pela Sinovac com o Instituto Butantã, o IFA contém o vírus inativado, isto é, o corpo do coronavírus “morto”. Já no caso das vacinas da Pfizer/Biontech e Moderna, o IFA contém o RNA mensageiro (mediador que expressa informações presentes no código genético do vírus). Vacinas como a de Oxford/AstraZeneca e a Sputnik V têm um vírus inofensivo modificado para transportar informações do coronavírus ao corpo humano.

  • Farmacovigilância

    Conjunto de regras, procedimentos e práticas realizadas pela vigilância em saúde do SUS, que detectam, avaliam e comunicam eventos adversos ou quaisquer outros problemas relacionados ao uso de medicamentos ou à imunização, que têm por objetivo assegurar a qualidade, eficácia e a segurança de remédios ou vacinas. Evento adverso pós-vacinação é qualquer intercorrência indesejada ou não intencional ocorrida após a vacinação – um sintoma, alterações em resultados de exames laboratoriais ou clínicos ou outros eventos inesperados, tendo ou não relação com o uso da vacina. A farmacovigilância verifica a relação causal entre um fármaco administrado e o evento observado, além de garantir a divulgação de informações e comunicar riscos de maneira rápida e eficiente.

  • Grupos prioritários para vacinação

    Cidadãos pertencentes aos chamados grupos prioritários para vacinação são aqueles que devem receber prioritariamente as doses da vacina, diante do quantitativo ainda limitado na disponibilidade de doses. Geralmente, essas pessoas apresentam maior risco de exposição, complicações e óbito por covid-19. A definição desses grupos deve se dar por decisão técnico-científica de especialistas e estar elencada no Plano de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. O objetivo da priorização é potencializar os impactos da vacinação e reduzir a incidência de casos graves e óbitos o mais rapidamente possível.

  • Vigilância epidemiológica

    Realizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde), é o conjunto de ações que proporcionam conhecimento, detecção e prevenção e controle de doenças ou de agravos que colocam em risco a população. A vigilância serve como importante instrumento para o planejamento, a organização e a operacionalização dos serviços de saúde, além de padronizar medidas de intervenção sanitárias eficazes em tempo oportuno. Utiliza como base dados demográficos, ambientais e socioeconômicos, dados de morbidade e mortalidade e dados de notificação de surtos e epidemias, como é o caso da covid-19.

    As principais funções da vigilância epidemiológica são a coleta, o processamento, a análise e interpretação desses dados; a recomendação e promoção de medidas de controle apropriadas; a avaliação da eficácia e efetividade de medidas sanitárias adotadas e a divulgação de informações.

Bibliografia

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Relatório de bases técnicas para decisão do uso emergencial, em caráter experimental, de vacinas contra a covid-19. Disponível aqui. Acesso em: março de 2021.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de Vigilância em Saúde. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. – Volume único. 3. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis Coordenação-Geral do Programa Nacional de Imunizações. Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis Coordenação-Geral do Programa Nacional de Imunizações. – 5. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis Coordenação-Geral do Programa Nacional de Imunizações. Primeiro informe técnico. Disponível aqui. Acesso em: março de 2021.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis. Manual de vigilância epidemiológica de eventos adversos pós-vacinação. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis. – 4. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.

HOUVÈSSOU, et al. Medidas de contenção de tipo lockdown para prevenção e controle da COVID-19: estudo ecológico descritivo, com dados da África do Sul, Alemanha, Brasil, Espanha, Estados Unidos, Itália e Nova Zelândia, de fevereiro a agosto de 2020. Epidemiol. Serv. Saúde vol.30 no.1 Brasília mar. 2021.

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