Qual a relação entre Aprendizagem e melhores empregos para juventudes

Carlos Henrique Leite Corseuil

Paper

A aprendizagem como um trampolim para melhores empregos: evidências a partir de dados brasileiros

Apprenticeship as a Stepping Stone to Better Jobs: Evidence from Brazilian Matched Employer-Employee Data

autores

Carlos Henrique Leite Corseuil, Miguel Nathan Foguel e Gustavo Maurício Gonzaga

Área e sub-área

Economia, Economia do trabalho

Publicado em

Labour Economics em 23/02/2019

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Em um contexto de alto desemprego e expressiva informalidade, a juventude enfrenta uma enorme dificuldade para encontrar o primeiro emprego, ainda maior se a busca priorizar o trabalho formal. Como consequência, parcela expressiva de nossos jovens atuam em posições informais.

Este artigo, publicado na revista Labour Economics, avalia o programa de Aprendizagem Brasileiro adotado pelo Estado em larga escala desde 2000. As conclusões apontam para resultados positivos confirmando que a experiência como aprendiz aumenta a probabilidade de emprego em cargos permanentes e diminui as taxas de rotatividade em várias posições e empresas.

A qual pergunta a pesquisa responde?

Em que medida os jovens que ingressam no mercado de trabalho pelo contrato de aprendizagem conseguem uma melhor inserção no mercado de trabalho após essa experiência inicial.

Por que isso é relevante?

A dificuldade para garantir uma inserção de qualidade dos jovens no mercado de trabalho é um desafio global. Em geral tal afirmação encontra respaldo em altas taxas de desemprego, e no caso dos países latino-americanos, também altas taxas de informalidade.

No Brasil temos um diagnóstico mais refinado sugerindo que o problema começa com uma enorme dificuldade para o jovem encontrar o seu primeiro emprego, e que se torna ainda maior se essa busca priorizar o emprego formal. A consequência disso é que uma parcela expressiva dos nossos jovens que conseguem algum emprego o fazem em postos informais. Logo, saber se uma política é efetiva para um ingresso de jovens em trajetórias promissoras no mercado de trabalho pode ajudar a encarar o desafio mencionado acima.

Resumo da pesquisa

O objetivo do artigo é avaliar o programa de Aprendizagem Brasileiro adotado em larga escala desde 2000. Em particular, investigamos se o programa funciona como um trampolim para empregos permanentes quando comparado a outras formas de empregos temporários. Semelhante a outras iniciativas de aprendizagem mundo afora, o programa brasileiro treina jovens trabalhadores sob contratos temporários especiais com o objetivo de ajudá-los a completar com sucesso a transição da escola para o trabalho. Usamos um conjunto de dados (RAIS) que abrange todos os empregados formais no Brasil, incluindo aprendizes. A metodologia que utilizamos permite extrair o efeito do programa mesmo se o grupo de comparação utilizado diferir dos jovens aprendizes em características não observáveis. Nossos resultados tendem a ser positivos e coerentes com uma interpretação de que a experiência como aprendiz tem como principal efeito a maior valorização do jovem por empregos de qualidade.

Quais foram as conclusões?

Constatamos que o programa aumenta a probabilidade de emprego em empregos permanentes e diminui as taxas de rotatividade e experiência no mercado de trabalho formal em horizontes de 2-3 e 4-5 anos. Também encontramos impactos substanciais no nível de escolaridade como, por exemplo, um aumento de 43,8% na probabilidade de completar o ensino médio. Adicionalmente há evidências no nosso artigo de que o grau de complexidade da ocupação dos aprendizes afeta a probabilidade de obter um emprego sem prazo determinado no curto prazo e o desempenho educacional no médio prazo. Os resultados também evidenciam efeitos muito maiores do programa para trabalhadores que tiveram seu primeiro emprego em grandes empresas.

Quem deveria conhecer os seus resultados?

Empresários, instituições formadoras de jovens, gestores de políticas públicas de trabalho e renda, gestores de políticas públicas de juventude.

Referências

Reis, M.C. , 2015. Uma análise da transição dos jovens para o primeiro emprego no Brasil. Rev. Brasileira Econ. 69 (1), 125–143.

Corseuil, C. , Foguel, M. , Gonzaga, G. , Ribeiro, E. , 2014. A rotatividade dos jovens no mercado de trabalho formal Brasileiro. In: Corseuil, Botelho (Eds.), Desafios à Trajetória Profissional Dos Jovens Brasileiros. IPEA, Brasília.

Wolter, S. , Ryan, P. , 2011. Apprenticeship. In: Handbook of the Economics of Education, vol. 3. Elsevier, pp. 521–576.

ILO (2012). Overview of apprenticeship systems and issues: ILO contribution to the G20 task force on employment. Technical Report.

Ministério do Trabalho e Emprego , 2014. Manual Da Aprendizagem: O Que é Preciso Saber Para Contratar o Aprendiz, Brasília, ninth ed.

Carlos Henrique Leite Corseuil é graduado em economia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), mestre em economia pela FGV (Faculdade Getúlio Vargas) e pela London School of Economics e doutor em economia pela University College of London (2008). É coordenador da área de trabalho e desenvolvimento rural do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), onde ingressou em 1998. Já foi diretor adjunto da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais e editor do Boletim Mercado de Trabalho: Conjuntura e Análise, do Ipea. Atualmente também integra o quadro de professores permanentes do mestrado em desenvolvimento e políticas públicas do Ipea.

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