Como ações locais em comunidades do Rio de Janeiro impactaram o avanço do contágio do novo coronavírus

Patrícia Camargo Magalhães e José Paulo Guedes Pinto

Paper

Proteção e vulnerabilidade ao covid-19 no Rio de Janeiro

autores

Aruan Braga, Bruna Gaudencio Guimarães, Eric Ayrão de Castro, Fábio Godoy Ferreira, Jorge Luiz Barbosa, José Paulo Guedes Pinto, Lino Teixeira, Maira Begalli, Maria Carolina Maziviero, Patrícia Camargo Magalhães e Thales Davi Monea Oliveira

Área e sub-área

Ciências sociais, Economia, Saúde e Modelagem

Publicado em

Mapa social do corona - Observatório das favelas em 01/07/2020

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Este paper de autoria do Observatório de Favelas e do grupo Ação Covid-19 analisou como ações concretas de mitigação do vírus em comunidades de baixa renda do Rio de Janeiro impactaram na contenção da propagação do novo coronavírus nessas localidades.

A pesquisa, com o apoio de um simulador de dispersão do coronavírus em territórios, obteve resultados importantes acerca do efeito positivo das medidas de proteção, no sentido de minimizar os impactos da pandemia para comunidades e periferias do Rio de Janeiro. Foi verificado que, através de ações coordenadas pelos próprios moradores dessas regiões, houve melhoras significativas em relação à diminuição da contaminação, mensuradas por meio do chamado IPC (Índice de Proteção ao Coronavírus), que é calculado segundo metodologia desenvolvida pelo coletivo Ação Covid-19.

A qual pergunta a pesquisa responde

Como ações concretas de mitigação do vírus em comunidades do Rio de Janeiro impactaram na contenção da propagação do coronavírus?

Por que isso é relevante?

É factual que as curvas de contágio e as taxas de letalidade são mais expressivas nas favelas e periferias dos centros urbanos em todo o Brasil. Desta forma, se faz indispensável considerar a diversidade da ocupação do solo das cidades (as diferentes formas de ocupar a cidade do ponto de vista urbanístico) na compreensão da prevalência da doença e, consequentemente, na definição de ações para seu enfrentamento.

Resumo da pesquisa

Muito embora o novo coronavírus não faça distinção na escolha de seus infectados, a progressão e os impactos desiguais da pandemia na cidade do Rio de Janeiro se mostram diretamente relacionados às condições da vida urbana e seus indicadores sociais e econômicos.

De forma inquestionável as condições da vida na cidade, a partir dos indicadores de infraestrutura urbana, de qualificação habitacional e de perfil demográfico, figuram como determinantes objetivos para disseminação do contágio, bem como para maior ou menor prevalência dos casos em diferentes áreas da cidade. Por isso, desenvolvemos um modelo que se vale destes indicadores para projetar o avanço da pandemia com base nas disparidades sociais e econômicas brasileiras. A sua aplicação em diferentes comunidades e bairros de classe média do Rio de Janeiro permite evidenciar a disseminação mais alarmante nos primeiros e o impacto de medidas de mitigação do vírus nessas localidades.

Quais foram as conclusões?

A análise conjunta entre a área de políticas urbanas do Observatório de Favelas e o grupo Ação Covid-19 que deu origem a esta quarta edição do “Mapa Social do Corona” traz resultados significativos sobre a proteção atual e futura ao covid-19 na cidade do Rio de Janeiro e nos espaços populares. O trabalho uniu base teórico-conceitual, experiência e vivência nos territórios e metodologias e modelos matemáticos de análise.

Além de realizar mapas e comparações sobre o chamado Índice de Proteção ao Coronavírus e a Taxa de Letalidade, revelando algumas faces da organização desigual do espaço urbano, também obtivemos resultados importantes acerca do efeito positivo das medidas de proteção, no sentido de minimizar os impactos da pandemia para as favelas e periferias do Rio de Janeiro. Em particular, a Maré e a Rocinha conseguiram, através de ações coordenadas pela comunidade, elevar o seu IPC (Índice de Proteção ao Coronavírus), calculado pelo coletivo Ação Covid-19, para o mesmo nível de bairros de classe média como Tijuca.

Quem deveria conhecer os seus resultados?

As associações comunitárias e as diferentes instâncias do poder público que podem incidir diretamente em ações de mitigação do vírus nas regiões mais periféricas e pobres dos grandes centros urbanos.

Referências

Ação Covid-19. Índice de proteção ao coronavírus. São Paulo: Ação Covid-19, 2020. Disponível aqui.

Patrícia Camargo Magalhães, José Paulo Guedes Pinto and Diana Maritza Segura-Angel. A multiagent coronavirus model with territorial vulnerability parameters. doi: https://doi.org/10.1101/2020.10.25.20218735. https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.10.25.20218735v2

Guedes Pinto JP, Magalhaes PM, Figueiredo GM, Alves D, Segura-Angel DM. Local protection bubbles: an interpretation of the decrease in the velocity of coronavirus's spread in the city of São Paulo medRxiv 2020.08.11.20173039: https://doi.org/10.1101/2020.08.11.20173039.

Ranieri J, Begalli M. O uso do Índice do Entorno (I.E.) e o Índice Paulista de Vulnerabilidade Social (I.P.V.S.) como ferramentas para a compreensão da complexidade de um território: estudo de caso do subdistrito do Riacho Grande; 2016. (Symposium presentation).

Patrícia Camargo Magalhães é doutora em física pela USP. Atualmente atua como pesquisadora Capes-Print no ITA (Instituto de Tecnologia Aeronáutica) e pesquisadora visitante na Universidade de Bristol, membro da colaboração LHCb no Cern. Possui pós-doutorado com bolsa Marie Curie na Universidade de Bristol (Inglaterra), CNPq pelo CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) e na Universidade Técnica de Munique (Alemanha), com bolsa da instituição para fomento da participação de mulheres na ciência. Tem experiência na área de fenomenologia de física de partículas. É coordenadora do coletivo Ação Covid-19.

José Paulo Guedes Pinto é doutor em economia pela USP. Atualmente é professor da UFABC (Universidade Federal do ABC) e vice-coordenador da pós-graduação em Economia Política Mundial da UFABC. Possui pós-doutorado pela London School of Economics and Political Science tendo tido bolsa da Fapesp. Tem experiência na área de economia política, sistemas complexos adaptativos e tecnologias sociais. É integrante do coletivo Ação Covid-19.

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