Como programas para pais previnem a violência contra crianças

Paper

Programas de parentalidade de prevenção universal de violência contra a criança

Universal violence and child maltreatment prevention programs for parents: A systematic review

autoras

Elisa Rachel Pisani Altafim e Maria Beatriz Martins Linhares

Área e sub-área

Ciências humanas, psicologia

Publicado em

Psychosocial Intervention

Link para o original

Este paper, publicado na revista Psychosocial Intervention, analisa os impactos de programas de parentalidade em grupo para a prevenção da violência contra crianças. São chamados programas parentais aqueles direcionados a cuidadores para desenvolver relações harmoniosas com crianças por meio de ações eficazes e não violentas.

O estudo concluiu que programas desse tipo são efetivos para melhorar as práticas de cuidadores e diminuir os problemas de comportamento infantil. A pesquisa acredita que essas iniciativas são uma importante oportunidade de prevenção da violência, considerando a dificuldade da identificação de maus tratos a crianças dentro das famílias.

A qual pergunta a pesquisa responde

Quais programas de parentalidade em grupo têm sido conduzidos para a prevenção universal da violência contra crianças? Quais são os conteúdos abordados por esses programas? Quais são os resultados desses programas nas práticas parentais e no comportamento das crianças?

Por que isso é relevante?

Conforme ressaltado pela Organização Mundial da Saúde, uma das principais estratégias para prevenir violência contra a criança é a realização de programas de parentalidade, que promovem relações seguras, estáveis e harmoniosas entre cuidadores e crianças. Considerando a dificuldade na identificação de violência contra a criança dentro das famílias, os programas de prevenção universal podem atuar como uma relevante oportunidade, pois são oferecidos para a população em geral, sem a identificação prévia de riscos. Compreender os efeitos desses programas e seus objetivos pode auxiliar os gestores públicos na identificação de estratégias efetivas de prevenção de violência para serem implementadas como políticas públicas. Além disso, para os pesquisadores, a revisão sistemática sintetiza os principais achados da literatura e sinaliza as lacunas a serem preenchidas por estudos futuros.

Resumo da pesquisa

A pesquisa teve como objetivo revisar a literatura internacional sobre programas de parentalidade em grupo para prevenção de violência. Foram incluídos estudos sobre programas estruturados que tinham como objetivo aprimorar as práticas parentais dos cuidadores. Vinte e três estudos foram incluídos e 16 tipos diferentes de programas parentais foram identificados. Noventa e um por cento dos estudos foram conduzidos em países desenvolvidos. Todos os programas se concentraram na prevenção da violência e maus-tratos por meio da promoção de práticas parentais positivas. Apenas sete estudos eram ensaios clínicos randomizados. Todos os estudos que avaliaram as práticas parentais verificaram mudanças positivas nas práticas dos cuidadores após a participação nos programas. Os programas também foram efetivos para melhorar o comportamento das crianças em 90% dos estudos que avaliaram esse desfecho.

Os programas de parentalidade que foram utilizados com maior frequência nos estudos foram o Triple P (Positive Parenting Program) e o ACT (Raising Safe Kids) — traduzido para o português como Programa ACT para Educar Crianças em Ambientes Seguros.

Quais foram as conclusões?

Programa de parentalidade em grupo de prevenção universal de violência contra a criança mostraram-se efetivos para melhorar as práticas parentais e diminuir os problemas de comportamento das crianças.

Os programas de parentalidade tinham objetivos semelhantes, como: 1) compartilhar conhecimento sobre o desenvolvimento da criança; 2) promover práticas e habilidades parentais eficazes; 3) incentivar a utilização de comportamentos parentais não violentos; 4) promover relações harmoniosas entre pais e filhos. Poucos estudos foram realizados em países em desenvolvimento, o que demonstra necessidade de investimentos em avaliações de programas de parentalidade nesses países.

Quem deveria conhecer os seus resultados?

Gestores públicos, profissionais da saúde, psicologia e da assistência social, pesquisadores e formuladores e avaliadores de políticas públicas.

Referências

Altafim, E. R. P., & Linhares, M. B. M. (2016). Universal violence and child maltreatment prevention programs for parents: A systematic review. Psychosocial Intervention, 25(1), 27–38. https://doi.org/10.1016/j.psi.2015.10.003.

World Health Organization. (2009). Violence prevention the evidence – Preventing violence through the development of safe, stable and nurturing relationships between children and their parents and caregivers. Series of briefings on violence prevention: The evidence. Geneva: World Health Organization. Disponível em: http://whqlibdoc.who.int/publications/2009/9789241597821 eng.pdf

Elisa Rachel Pisani Altafim é psicóloga com doutorado e pós-doutorado em ciências — saúde mental pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. Tem graduação e mestrado pela Unesp. Em 2016, foi pesquisadora visitante na Harvard Graduate School of Education e tem formação em Harvard nos cursos Principles and Practice of Clinical Research e Executive Leadership Program in Early Childhood Development. Atualmente é professora colaboradora na Pós-Graduação em Saúde Mental e pesquisadora no Lapredes da FMRP-USP. Já atuou como professora de graduação na Unesp e como gerente interina na Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

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