Como o transporte sobre trilhos pode integrar a Macrometrópole Paulista

Rafael Marengoni

Dissertação de mestrado

Urban Design às escalas da Macrometrópole Paulista

Extrametropolis: Urban Design Across the Scales of the Paulista Macrometropolis

autor

Rafael Ferreira Marengoni

orientadores

Rahul Mehrotra, Renee Tapp e Gabriel Kozlowski

Área e sub-área

Ciências sociais aplicadas, arquitetura e urbanismo, planejamento urbano e regional

Publicado em

Harvard Graduate School of Design, Universidade de Harvard

Defendido em

14/05/2020

Link para o original

Esta dissertação de mestrado, defendida na Harvard Graduate School of Design da Universidade de Harvard, apresenta uma proposta de projeto de transporte para a região da Macrometrópole Paulista, área que une a região metropolitana da cidade de São Paulo e outros seis conglomerados urbanos do estado, entre eles a região metropolitana de Campinas e da Baixada Santista.

A pesquisa desenvolveu uma proposta de projeto-piloto para Campinas a partir de análises da urbanização na capital e seguindo parâmetros do Trem Intercidades, obra sobre trilhos que promete integrar o estado de São Paulo. A partir do projeto, o estudo concluiu que é possível adaptar instrumentos urbanísticos utilizados na capital paulista no restante da macrometrópole, possibilitando melhor integração do tecido urbano local.

A qual pergunta a pesquisa responde

A pesquisa reflete sobre uma questão do desenvolvimento regional no estado de São Paulo: como podemos imaginar as cidades da Macrometrópole Paulista com o Trem Intercidades?

Por que isso é relevante?

A Macrometrópole Paulista, região que abriga a região metropolitana de São Paulo e outras aglomerações urbanas do estado, é hoje habitada por mais de 30 milhões de brasileiros e contribui com aproximadamente 27% do PIB nacional, além de ser uma das maiores e mais densas áreas urbanas do continente americano. Sendo assim, o impacto do desenvolvimento coordenado nessa região tem um dos maiores potenciais do continente do ponto de vista de população diretamente afetada. Quando pensamos em planejamento urbano e planejamento regional, é exatamente esse tipo de região que queremos identificar como alvo, porque são nelas que as políticas públicas podem ter um alcance maior.

Os modelos de urbanização que temos em São Paulo não são exclusivos dessa região: espraiamento das cidades, dependência expressiva de transporte motorizado individual, grandes deslocamentos e uma concentração desproporcional de serviços e usos comerciais nos centros se expandem para além dos limites do município e dos limites metropolitanos, assim afetando todo o conjunto das regiões da macrometrópole (Baixada Santista, a capital, o Vale do Paraíba e Litoral Norte, Campinas, Piracicaba, Sorocaba e Jundiaí/Bragança).

Ao mesmo tempo que esse problema se expande em todas essas regiões, existe uma imensa oportunidade na resolução dos desafios. Ao redefinir a política de transporte regional em um sistema de trens, o governo do estado tem a oportunidade de desenvolver todas essas áreas simultaneamente e redesenhar como as cidades atualmente operam na macrometrópole. Em outras palavras, se redefinirmos como a macrometrópole funciona, poderemos criar políticas públicas que promovam um novo modelo de sustentabilidade. Os benefícios desse modelo teriam o potencial de impactar diretamente 15% da população do Brasil.

Resumo da pesquisa

A pesquisa teve três principais tarefas: contextualizar os processos de urbanização em São Paulo, analisar a dimensão regional do TIC (Trem Intercidades) na Macrometrópole Paulista e, por fim, propor um projeto-piloto de implementação do TIC adaptado para a cidade de Campinas. A base para o projeto foi uma metodologia de design urbano criada a partir das observações da urbanização paulista, mas ajustada para a escala das outras cidades existentes dentro da macrometrópole. A metodologia, focando em projetos adaptados do Trem Intercidades, avalia como as áreas em torno da estação poderiam articular uma nova centralidade para as cidades.

O trabalho partiu dos processos de urbanização de São Paulo como um estudo de caso prévio. Nesse estudo, observou-se quais foram os eixos de mobilidade que estruturaram a transformação da cidade em região metropolitana, e como esses eixos reforçaram a opção rodoviarista de São Paulo, incentivaram o crescimento contínuo da frota veicular e, consequentemente, contribuíram para promover ainda mais o espraiamento das cidades. A pesquisa também observou, dentro desse contexto, quais estratégias e instrumentos foram desenvolvidos e aplicados para responder a esses tipos de urbanização, tanto na cidade quanto na região metropolitana. Entre os instrumentos, destacaram-se os que estão presentes no Estatuto da Cidade, no Estatuto da Metrópole e no Plano Diretor do Município de São Paulo, além de algumas estratégias presentes no planejamento urbano da metrópole paulista. Eles se tornaram pontos de partida para repensar soluções urbanas para municípios da macrometrópole, levando ao desenvolvimento do projeto-piloto.

Quais foram as conclusões?

A partir da metodologia de projeto desenvolvida, a pesquisa concluiu que há viabilidade na replicação dos instrumentos urbanísticos desenvolvidos no município de São Paulo em outras localidades da macrometrópole e que eles poderiam ter um papel estruturante nas cidades se fossem implementados, funcionando como um ponto de partida para intermodalidade regional.

Assumindo que o desenvolvimento urbano continue ocorrendo de forma espraiada, concluiu-se também que as escalas determinantes para o planejamento na macrometrópole devem se apoiar nos instrumentos do Estatuto da Metrópole e na coordenação regional de uso e ocupação da terra, recursos e serviços.

Além disso, o estudo do projeto-piloto em Campinas permite concluir que seria possível utilizar projetos urbanos como esse como conectores locais, facilitando a integração de serviços existentes e criando novos espaços e usos em áreas centrais subutilizadas. Ao mesmo tempo, esses projetos permitem que o design seja voltado para intermodalidade com foco nos modais ativos (a pé, bicicleta etc.) na escala local. A proposta em torno da estação de trem se baseou na possibilidade de reutilização de edifícios desativados, na criação de novos usos em vazios urbanos e em reforçar conexões locais.

 Projeto Piloto: Escala do bairro; Escala da cidade; Impacto na cidade; Impacto na macrometrópole;  Impacto para São Paulo.

Quem deveria conhecer os seus resultados?

Pesquisadores, administradores públicos da área de planejamento urbano, políticas públicas e cidades, organizações da sociedade civil, arquitetos e urbanistas.

Referências

Costa, Adriano Borges. “ Transportation and urban development in São Paulo : exploring how transportation has shaped and still shapes the city” PhD. diss. São Paulo, EAESP/FGV, 2018.

Fix, Mariana. “A “Fórmula Mágica” da “Parceria” - Operações Urbanas em São Paulo “. Urbanismo: Dossiê São Paulo - Rio de Janeiro. PUCCAMP/PROURB, Campinas, 2003.

Pasternak, Suzana. Bógus, Lucia Maria.”Macrometrópole paulista: estrutura sócio-ocupacional e tipologia dos municípios – Mudanças na primeira década dos anos 2000”. In RBEUR v21 n2, Rio de Janeiro, 2019.

Soja, Edward. “Regional urbanization and the end of the metropolis era,” in Gary Bridge and Sophie Watson eds., The New Blackwell Companion to the City. Cambridge, MA. Blackwell, 2010.

Tavares, Jeferson Cristiano. “Polos Urbanos e Eixos Rodoviários no estado de São Paulo”. University of São Paulo, São Carlos, 2015.

Rafael Marengoni é arquiteto urbanista pela Unicamp e Master in Architecture of Urban Design pela Harvard Graduate School of Design. Desenvolveu pesquisas com o DRCLAS-Harvard sobre processos de urbanização regional da Macrometrópole Paulista e foi City Leadership Fellow com a Bloomberg Harvard City Leadership Initiative, onde desenvolveu, junto com o governo local, propostas para o futuro do transporte local e regional em Richmond, capital do estado da Virginia. Suas área de interesse incluem planejamento e design urbano, políticas públicas, infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

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