Como monitorar o desenvolvimento de crianças em políticas públicas

Elisa Rachel Pisani Altafim

Paper

Validação do Credi no Brasil

Measuring early childhood development in Brazil: validation of the Caregiver Reported Early Development Instruments (CREDI)

autores

Elisa Rachel Pisani Altafim, Dana Charles McCoy, Alexandra Brentani, Ana Maria de Ulhôa Escobar, Sandra J.F.E. Grisi, Günther Fink.

Área e sub-área

Ciências da saúde, Desenvolvimento da criança

Publicado em

1/4/2020 no Jornal de Pediatria

Link para o original

Este estudo, publicado no Jornal de Pediatria da Sociedade Brasileira de Pediatria, faz uma avaliação do chamado Credi (Caregiver Reported Early Development Instruments), um instrumento gratuito e internacional utilizado em políticas públicas para monitorar o desenvolvimento de crianças na primeiríssima infância e de programas de intervenção em nível populacional.

Neste trabalho, a pesquisadora Elisa Altafim analisou a validade do instrumento no contexto brasileiro. Os resultados da pesquisa sugerem altas taxas gerais de aceitabilidade da ferramenta.

A qual pergunta a pesquisa responde

Se o instrumento internacional Credi de avaliação populacional do desenvolvimento da criança de 0 a 3 anos tem validade para o Brasil.

Por que isso é relevante?

O Credi é um instrumento gratuito e internacional que pode ser utilizado em políticas públicas para monitorar o desenvolvimento das crianças na primeiríssima infância e avaliar programas de intervenção em nível populacional. A pesquisa disponibiliza dados referentes ao desenvolvimento da criança, a fim de qualificar a política pública de atenção à primeira infância.

Resumo da pesquisa

A pesquisa analisou as propriedades psicométricas e a validade geral do formulário Credi de avaliação do desenvolvimento da criança em nível populacional de crianças brasileiras com menos de três anos. O estudo analisou a aceitabilidade, a confiabilidade teste‐reteste, a consistência interna e a validade discriminante do instrumento CrediI. O estudo também analisou a validade concorrente do Credi com uma medida observacional direta (o Pridi, Projeto Regional sobre os Indicadores de Desenvolvimento na Infância do Banco Interamericano de Desenvolvimento). A amostra total inclui 1.265 cuidadores brasileiros de crianças de 0 a 35 meses (678 em uma amostra presencial e 587 em uma amostra online).

Quais foram as conclusões?

Os resultados sugerem altas taxas gerais de aceitabilidade do instrumento. A maior parte dos itens mostrou confiabilidade teste‐reteste adequada. O coeficiente alfa de Cronbach sugeriu consistência interna/confiabilidade entre itens. Com relação à validade concorrente, as pontuações do Credi foram significativamente correlacionadas às pontuações gerais do Pridi na amostra. As análises multivariadas da validade do constructo mostraram que uma proporção significativa da variação nas pontuações do Credi pode ser explicada pelo sexo da criança, nível socioeconômico, escolaridade do cuidador e estimulação em casa. Os achados corroboram a hipótese de que as intervenções que visam às interações positivas entre cuidador e criança podem ser válidas no preenchimento de lacunas no desenvolvimento da criança, principalmente para famílias com baixa escolaridade e nível socioeconômico.

Quem deveria conhecer os seus resultados?

Gestores públicos, profissionais da saúde e da assistência social e pesquisadores. Formuladores e avaliadores de políticas públicas.

Referências

Altafim, E. R. P., McCoy, D. C., Brentani, A., de Ulhôa Escobar, A. M., Grisi, S. J., & Fink, G. (2020). Measuring early childhood development in Brazil: validation of the Caregiver Reported Early Development Instruments (CREDI). Jornal de Pediatria (Versão em Português), 96(1), 66-75.

McCoy, D. C., Waldman, M., Team, C. F., & Fink, G. (2018). Measuring early childhood development at a global scale: evidence from the Caregiver-Reported early development instruments. Early childhood research quarterly, 45, 58-68.

Elisa Rachel Pisani Altafim é psicóloga, gerente de conhecimento aplicado das areas de Parentalidade e Desenvolvimento da Criança da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal. Doutora e pós-doutora em ciências com foco em intervenção preventiva de saúde mental na primeira infância e parentalidade pela FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo). Pesquisadora visitante/doutorado sanduíche na Harvard Graduate School of Education. Graduada (formação de psicólogo e licenciatura) e mestreem Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem pela Unesp (Universidade Estadual Paulista). Formadação nos cursos principles and practice of clinical research com módulo adicional em estatística avançada (Harvard Medical School), executive leadership program in early childhood development (Harvard Graduate School of Education) e medical, teaching & innovation program (Fundação Lemann, USP e Instituto Scala). Professora coorientadora no Programa de Pós-Graduação em Saúde Mental (FMRP-USP) e Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem (Unesp). Pesquisadora e desenvolvedora do Lapredes-USP (Programa Fortalecendo Laços), apoiado pelo iLab Primeira Infância, iniciativa do Núcleo Ciência Pela Infância em parceria com o Center on the Developing Child de Harvard. Pesquisadora e Master Trainer do Programa ACT – Para Educar Crianças em Ambientes Seguros, desenvolvido pela American Psychological Association. Já atuou como professora de graduação na Unesp, ministrando as disciplinas de avaliação psicológica, administração de recursos humanos, orientação profissional e no curso de ensino a distância práticas educacionais inclusivas. Realiza pesquisas e formações relacionadas à parentalidade, intervenções para fortalecer as relações familiares, prevenção de violência e promoção do desenvolvimento da criança.

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